Do excesso à escassez de chuva, diferentes regiões brasileiras enfrentam situações de emergência provocadas por eventos climáticos extremos.
Desde o início de julho, 240 municípios de 13 estados decretaram situação de anormalidade diante de secas, estiagens, temporais, inundações e incêndios florestais.
Os impactos são associados ao El Niño, fenômeno caracterizado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico e capaz de alterar o regime de chuvas e temperaturas em diferentes partes do país.
Levantamento da Confederação Nacional de Municípios, elaborado com dados do Sistema Integrado de Informações sobre Desastres, mostra que mais de 200 cidades já registraram danos.
As perdas econômicas estimadas alcançam R$ 3,5 bilhões, valor mais de 50% superior ao contabilizado no mesmo período do ano anterior.
Mais de 500 mil pessoas foram atingidas direta ou indiretamente pelos eventos registrados ao longo do mês.
Falta de chuva concentra perdas
Secas e estiagens respondem por mais de 86% dos prejuízos calculados no levantamento.
A maior concentração das perdas está no Nordeste, onde sete dos nove estados apresentam municípios em situação de anormalidade. Sergipe e Maranhão são as únicas unidades da região que não aparecem nessa condição.
A redução prolongada das chuvas compromete reservatórios, abastecimento de água e atividades econômicas dependentes das condições climáticas.
No campo, a escassez hídrica pode afetar lavouras, criação de animais e a renda de produtores. Nas cidades, o cenário amplia a pressão sobre os serviços públicos e exige ações emergenciais das administrações municipais.
Sul enfrenta temporais e inundações
Enquanto o Nordeste sofre principalmente com a estiagem, a Região Sul registra ocorrências relacionadas ao excesso de chuva.
No Rio Grande do Sul, 69 municípios foram atingidos por temporais e inundações. Em Santa Catarina, 53 cidades comunicaram danos causados pelas condições meteorológicas.
Os prejuízos estimados nos dois estados somam R$ 128 milhões.
As chuvas intensas provocaram impactos em imóveis, estradas, vias urbanas, áreas rurais e estruturas utilizadas pela população.
A diferença entre os cenários regionais evidencia que os efeitos do El Niño não se manifestam de maneira uniforme. O mesmo fenômeno pode favorecer períodos secos em uma área e aumentar a ocorrência de precipitações volumosas em outra.
Incêndios mobilizam municípios do Sudeste
Na Região Sudeste, 24 cidades decretaram situação de emergência em razão de incêndios florestais.
O avanço das chamas sobre áreas de vegetação ameaça comunidades, propriedades e ecossistemas, além de exigir a mobilização de brigadistas e equipes municipais.
A fumaça também pode comprometer a qualidade do ar e aumentar os riscos para pessoas com doenças respiratórias.
A combinação entre vegetação seca, temperaturas elevadas e baixa umidade favorece a propagação do fogo e dificulta o controle dos focos.
Municípios precisam reforçar prevenção
Diante da possibilidade de continuidade dos efeitos do El Niño até 2027, a Confederação Nacional de Municípios divulgou orientações para as prefeituras.
A entidade recomenda a atualização dos Planos de Contingência, documentos que organizam as medidas de prevenção, resposta e atendimento em situações de desastre.
Outra orientação é o mapeamento das áreas mais vulneráveis a alagamentos, enxurradas, deslizamentos, incêndios e falta de água.
A identificação prévia desses locais permite planejar a retirada de moradores e direcionar equipes e recursos antes do agravamento das ocorrências.
Abrigos e rotas de evacuação
A CNM também orienta os municípios a prepararem espaços para o acolhimento temporário de famílias que precisem deixar suas casas.
As rotas de evacuação devem ser definidas antecipadamente, sobretudo em comunidades próximas a rios, encostas ou regiões com histórico de alagamentos e incêndios.
O planejamento precisa considerar o transporte de pessoas com deficiência, idosos, crianças e moradores que dependem de atendimento médico contínuo.
A comunicação com a população também deve ser fortalecida. Alertas rápidos e informações claras podem reduzir a exposição aos riscos e permitir que as famílias procurem locais seguros.
Planejamento pode reduzir danos
Os dados mostram que o El Niño produz impactos que ultrapassam as perdas materiais. A interrupção de serviços, o deslocamento de famílias e os danos à produção afetam a rotina e a economia dos municípios.
Com mais de meio milhão de pessoas atingidas e prejuízos bilionários, as administrações locais enfrentam o desafio de responder às emergências e, ao mesmo tempo, preparar suas estruturas para novos eventos.
A adoção antecipada de medidas preventivas é considerada essencial para proteger a população, reduzir perdas e garantir uma reação mais eficiente diante da continuidade das condições climáticas extremas.
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