A menos de uma semana do primeiro turno da eleição brasileira, três senadores democratas dos Estados Unidos aumentaram a pressão sobre o governo Donald Trump para que Washington se comprometa a respeitar o resultado das urnas no Brasil.
Jeanne Shaheen, Peter Welch e Tim Kaine enviaram na segunda-feira (28) uma carta ao secretário de Estado, Marco Rubio, na qual questionam a atuação americana em relação ao país e pedem uma garantia explícita de que o governo reconhecerá o resultado oficialmente certificado da eleição, marcada para domingo (4). O calendário eleitoral confirma o primeiro turno para 4 de outubro e um eventual segundo para o dia 25.
A manifestação ocorre poucos dias depois de outra cobrança semelhante chegar ao Departamento de Estado. Na quinta-feira passada, 31 integrantes do Congresso americano — entre eles Bernie Sanders e Alexandria Ocasio-Cortez — enviaram a Rubio uma carta questionando sanções, medidas diplomáticas e decisões do governo Trump relacionadas ao Brasil. O grupo também perguntou se Washington respeitaria o processo eleitoral e manteria relações normais com qualquer candidato escolhido pelos eleitores.
Na nova iniciativa, Shaheen, Welch e Kaine retomam parte dessas preocupações. Segundo o documento divulgado, eles acusam a administração Trump de usar instrumentos econômicos e diplomáticos para pressionar instituições brasileiras e afirmam temer que essa atuação alcance diretamente a disputa presidencial.
Os senadores citam, entre outros episódios, as tarifas e sanções adotadas pelos Estados Unidos desde 2025. Os três já haviam se posicionado contra as tarifas impostas ao Brasil no ano passado: Kaine, Shaheen e Welch participaram de uma iniciativa no Senado para tentar derrubá-las, sob o argumento de que a política comercial estava sendo utilizada para pressionar o Judiciário brasileiro.
Outro ponto mencionado é a aproximação de Trump com Flávio Bolsonaro. O presidente americano recebeu o senador e atual candidato à Presidência no Salão Oval em maio. O encontro foi fechado à imprensa e, segundo Flávio, tratou de temas como crime organizado, tarifas e minerais estratégicos.
Na avaliação expressa pelos parlamentares na carta, episódios desse tipo levantam dúvidas sobre a posição que a Casa Branca adotará depois da votação. Por isso, eles pedem que Rubio responda diretamente se o governo americano reconhecerá o resultado certificado e manterá relações diplomáticas regulares com quem for escolhido pelo eleitorado brasileiro.
Essa mesma questão já havia sido colocada pela carta dos 31 congressistas na semana passada. Naquele documento, os signatários deram ao Departamento de Estado prazo até 1º de outubro para apresentar respostas sobre sua política para o Brasil.
As acusações de interferência são posições dos parlamentares democratas, e não uma conclusão estabelecida sobre a atuação do governo americano. Washington já rejeitou anteriormente acusações de que missões ou iniciativas dos Estados Unidos voltadas ao Brasil tivessem como objetivo interferir na eleição.
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