A piora veio principalmente das famílias. Considerando todas as modalidades de crédito, a taxa de inadimplência das pessoas físicas chegou a 6%. No chamado crédito livre — que inclui empréstimos, financiamentos e cartão com condições definidas pelas próprias instituições financeiras — o percentual alcançou 8%, também um recorde. Entre as empresas, os atrasos permaneceram mais estáveis.
O cartão de crédito aparece entre os pontos mais sensíveis desse cenário. A inadimplência da modalidade chegou a 10%, enquanto linhas mais caras, como o rotativo, continuam concentrando níveis elevados de atraso. O quadro ocorre em um ambiente em que o custo do crédito segue alto, tornando mais difícil para quem já está endividado reorganizar o orçamento.
Os números ajudam a mostrar o tamanho da pressão sobre a renda doméstica. Em julho, as dívidas das famílias correspondiam a 49,9% da renda acumulada em 12 meses, praticamente metade do que os brasileiros recebem ao longo de um ano. O comprometimento mensal da renda com pagamentos de dívidas ficou em 28,7%.
Há, porém, uma ressalva importante na leitura do recorde. O próprio Banco Central aponta que mudanças recentes nas regras contábeis fizeram com que créditos problemáticos permanecessem registrados por mais tempo nos balanços das instituições. Isso elevou parte dos indicadores e significa que o avanço não pode ser atribuído integralmente a novos calotes.
Mesmo com a inadimplência em alta, o crédito continuou crescendo. O estoque de empréstimos do sistema financeiro chegou a aproximadamente R$ 7,4 trilhões em agosto, alta de 1,7% no mês. Esse movimento revela um cenário em que famílias e empresas continuam recorrendo ao financiamento ao mesmo tempo em que aumenta a dificuldade de manter parte dessas dívidas em dia.
A divulgação ocorre meses depois da retomada de programas federais de renegociação de dívidas e em meio a uma nova etapa do Desenrola. Ainda assim, os dados mais recentes do Banco Central mostram que o problema permanece: as famílias estão mais endividadas e uma parcela crescente do crédito já entrou em atraso prolongado.
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