Um parasita agressivo, capaz de se alimentar de tecido vivo, voltou a colocar pecuaristas e autoridades sanitárias em alerta nos Estados Unidos. O verme-da-bicheira-do-novo-mundo foi confirmado em animais no Texas e no Novo México, reacendendo a preocupação com uma praga que pode causar graves prejuízos à pecuária, à fauna silvestre e à saúde animal.
O primeiro caso recente nos Estados Unidos foi identificado em um bezerro de três semanas no condado de Zavala, no sul do Texas. As larvas foram encontradas na região do umbigo do animal. A confirmação ocorreu em 3 de junho de 2026, segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, o USDA.
Nos dias seguintes, novas ocorrências foram registradas. De acordo com atualizações divulgadas por autoridades americanas, o total chegou a cinco casos confirmados: três bezerros e uma cabra no Texas, além de um cão no condado de Lea, no Novo México. Inicialmente, o caso do cão havia sido associado ao Texas, porque a amostra foi enviada por um veterinário daquele estado, mas depois foi reclassificado como o primeiro registro no Novo México.
O verme-da-bicheira-do-novo-mundo é a fase larval de uma mosca parasitária. Diferentemente de outros tipos de larvas que se alimentam de tecido morto, esse parasita invade feridas abertas e passa a consumir tecido vivo. O quadro pode provocar ferimentos profundos, infecções, sofrimento intenso e morte, caso o animal não receba tratamento rapidamente.
A ameaça não se limita ao gado. O parasita pode atingir bovinos, cavalos, cabras, ovelhas, animais de estimação, animais silvestres e, em situações raras, seres humanos. Por isso, a confirmação de casos em diferentes espécies aumentou a preocupação das autoridades sanitárias.
O Texas, maior estado produtor de bovinos dos Estados Unidos, está no centro do alerta. Autoridades locais criaram zonas de quarentena em torno dos focos, ampliaram a vigilância e orientaram produtores a inspecionar feridas, umbigo de bezerros recém-nascidos, orelhas, genitais e outras áreas vulneráveis dos animais.
A estratégia de contenção também inclui o uso de moscas estéreis, uma técnica usada para interromper a reprodução do inseto. O método consiste em liberar machos esterilizados no ambiente. Como as fêmeas acasalam uma única vez, a reprodução é bloqueada quando o cruzamento ocorre com um macho estéril.
A volta da praga ocorre em um momento delicado para a pecuária americana. O rebanho bovino dos Estados Unidos já está em baixa histórica, pressionado por seca, custos elevados e redução do número de matrizes. Com a oferta menor, o mercado de carne bovina já vinha operando sob pressão, e qualquer ameaça sanitária pode ampliar a instabilidade.
Especialistas alertam que uma disseminação ampla poderia gerar impacto bilionário, principalmente no Texas. Além das perdas diretas com animais doentes ou mortos, haveria custos com tratamento, quarentena, restrições de transporte, vigilância sanitária e possíveis efeitos sobre o comércio de animais vivos.
O USDA informou que mantém uma resposta coordenada para conter o avanço do parasita, com participação de diferentes órgãos federais e estaduais. Também há restrições em portos de entrada do sul dos Estados Unidos para o comércio de animais vivos, como parte das medidas para reduzir o risco de disseminação.
A recomendação aos produtores é agir rapidamente diante de qualquer suspeita. Feridas com larvas, mau cheiro, secreção, sangramento, irritação intensa ou comportamento incomum dos animais devem ser comunicados imediatamente a veterinários ou órgãos oficiais de defesa agropecuária.
Apesar do risco, autoridades destacam que a infestação pode ser tratada quando identificada cedo. O maior desafio, segundo especialistas, é impedir que o parasita se estabeleça em novas áreas durante os meses mais quentes, quando as condições climáticas favorecem a atividade das moscas.
O caso reacende a memória de antigas campanhas de erradicação do verme-da-bicheira nos Estados Unidos, consideradas um marco da defesa agropecuária. Agora, com novos registros no país, a resposta rápida será decisiva para evitar que a praga volte a se tornar um problema permanente para a pecuária americana.
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