As investigações da Polícia Federal que atingem integrantes da classe política no estado do Rio de Janeiro podem ganhar novos desdobramentos e alcançar também o Espírito Santo. O avanço ocorre após pedido de compartilhamento de provas obtidas em operações realizadas em território capixaba.
A solicitação partiu de investigadores que atuam em apurações conduzidas no Rio de Janeiro e que buscam ampliar o alcance das análises a partir de possíveis conexões entre investigados nos dois estados. O material analisado faz parte de operações que investigam suspeitas de irregularidades envolvendo agentes públicos e vazamento de informações sensíveis.
Um dos pontos centrais das apurações recentes envolve o desdobramento da chamada operação Unha e Carne, que resultou na prisão do desembargador Macário Judice e na abertura de investigações relacionadas ao suposto vazamento de informações sobre ações da Polícia Federal.
Durante a investigação, foram apreendidos celulares, computadores e documentos que passaram por perícia técnica. A análise dos dados extraídos dos aparelhos levantou suspeitas de contatos entre autoridades e pessoas investigadas em outras frentes da operação. Há indícios de envolvimento de políticos capixabas com parlamentares do Estado do Rio investigados no Estado do Rio. A conexão envolveria negócios financiados com dinheiro sujo.
No caso específico envolvendo o presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, Rodrigo Bacellar, a Polícia Federal investigou a suspeita de que ele teria recebido informações antecipadas sobre operações policiais e repassado esses dados a terceiros. A suspeita teria surgido a partir de um suposto encontro com o desembargador investigado.
No entanto, um relatório técnico elaborado pela própria Polícia Federal apontou que não há registros de conexão do telefone do magistrado na região do restaurante onde o encontro teria ocorrido. Os dados analisados pelas operadoras indicam que o aparelho estava conectado a antenas próximas à residência do desembargador no horário mencionado.
Com isso, a linha investigativa relacionada ao suposto jantar citado inicialmente perdeu força, embora outras apurações ainda estejam em andamento.
Mesmo com esse ponto enfraquecido na investigação, a Polícia Federal continua analisando outros elementos que podem levar à abertura de novos inquéritos. Entre as hipóteses investigadas estão suspeitas relacionadas a patrimônio, movimentações financeiras e possíveis irregularidades administrativas.
Além disso, informações obtidas em operações realizadas no Espírito Santo também podem passar a integrar as investigações em curso, caso o compartilhamento de provas seja autorizado pela Justiça.
A possibilidade de conexão entre personagens políticos dos dois estados chamou a atenção das autoridades federais, que agora buscam identificar eventuais vínculos entre investigados e possíveis ramificações das investigações.
Especialistas apontam que o compartilhamento de provas entre operações é um procedimento comum em investigações complexas, principalmente quando há indícios de atuação de grupos ou redes que ultrapassam limites territoriais entre estados.
Enquanto novas análises são realizadas, o cenário político segue acompanhando com atenção os desdobramentos das investigações, que podem gerar novas revelações e impactar diretamente o ambiente político do Rio de Janeiro e do Espírito Santo.
*Compartilhe esta reportagem do Diário da Guanabara, o melhor site de notícias do Espírito Santo.










