O retorno do recesso parlamentar e do Judiciário marca o início de uma intensa movimentação em Brasília. Deputados, senadores e prefeitos se deslocam aos aeroportos e ao Congresso para garantir a destinação de emendas parlamentares antes do fechamento do sistema SIOP (Sistema Integrado de Planejamento e Orçamento).
Segundo especialistas, este período é decisivo para ajustes nas emendas, com prioridade para pagamento até junho deste ano. Emendas não executadas até então poderão ser liberadas apenas após o segundo turno das eleições presidenciais, criando uma corrida entre parlamentares e gestores municipais.
Cada parlamentar dispõe de recursos em torno de R$ 40 milhões, e 50% dessas emendas devem ser direcionadas à área da saúde. As verbas são divididas em dois grupos: PAP (atenção primária e preventiva, como vacinas e programas de família) e MAC (média e alta complexidade, como cirurgias e hospitais). Muitos municípios enfrentam filas longas para cirurgias de catarata, atendimento hospitalar e diagnóstico precoce de doenças, incluindo câncer, e dependem dessas emendas para reduzir o impacto nos serviços públicos.
O sistema SIOP permite ajustes, redirecionamento e priorização das emendas, inclusive em casos de municípios com pendências administrativas que podem impedir o recebimento do recurso. Além disso, investigações no Supremo Tribunal Federal apontam irregularidades em algumas emendas, com suspeitas de direcionamento a familiares de parlamentares ou empresas sem prestação de serviço.
Após revisão do orçamento, o governo reduziu os recursos originalmente aprovados de R$ 61 bilhões para cerca de R$ 50 bilhões, o que poderá levar ao contingenciamento de parte das emendas, especialmente das destinadas a parlamentares fora da base do governo. A liberação efetiva dos recursos dependerá do cumprimento de metas fiscais e da organização interna dos municípios.
O retorno do Congresso e a corrida por emendas marcam o início de um período crítico para a execução de políticas públicas e refletem a complexidade da gestão de recursos federais em ano eleitoral.
*Compartilhe este artigo do Diário da Guanabara, o melhor site de notícias do Rio de Janeiro.










