A Polícia Federal segue avançando nos desdobramentos da quarta fase da Operação Unha e Carne, no Rio de Janeiro, que resultou na prisão do deputado estadual Thiago Rangel. A investigação reúne elementos extraídos de celulares, documentos e diálogos interceptados que, segundo os investigadores, indicam suspeitas de compra de votos, uso de laranjas, fraudes em postos de combustíveis e possível desvio de recursos públicos para financiar campanhas eleitorais.
De acordo com o material citado no programa Direto da Redação, a origem das apurações passa por uma operação anterior, quando Fábio Poubel, então ligado à estrutura política de Rangel, foi preso transportando material de campanha, listas supostamente relacionadas à compra de votos e dinheiro em espécie. A apreensão do celular dele teria aberto uma nova frente investigativa, revelando indícios de fraudes, contratos suspeitos e movimentações financeiras consideradas incompatíveis.
As investigações também alcançaram a chamada Operação Posto de Midas, que teria identificado postos de combustíveis supostamente registrados em nome de terceiros. Segundo a apuração, esses estabelecimentos seriam usados para movimentação de dinheiro, possível sonegação fiscal e outras irregularidades. A Polícia Federal também recolheu telefones atribuídos a Thiago Rangel e pessoas próximas ao deputado.
Um dos pontos centrais do caso envolve áudios atribuídos a conversas entre Thiago Rangel e Luiz Fernando Passos, apontado como operador financeiro do grupo. Nos diálogos, segundo a investigação, os dois tratariam de estratégias para campanhas eleitorais, incluindo repasses de dinheiro, manutenção de lideranças políticas e uso de cargos na estrutura pública para garantir apoio eleitoral.
A apuração também menciona a campanha de Tamires Rangel, filha do deputado, eleita vereadora em Campos dos Goytacazes. A suspeita é de que a campanha teria recebido grande volume de recursos não declarados, com gastos elevados em bandeiras, apoiadores de rua e ações de mobilização no dia da eleição. O caso pode gerar reflexos políticos e jurídicos sobre o mandato da vereadora, caso os indícios avancem para denúncia formal e eventual processo eleitoral ou disciplinar.
Outro eixo investigado envolve a possível ligação entre políticos, empresários do setor de combustíveis e o crime organizado. A Operação Unha e Carne ocorre no contexto de investigações mais amplas sobre a infiltração de grupos criminosos em estruturas públicas e políticas no Rio de Janeiro. O Supremo Tribunal Federal também acompanha desdobramentos relacionados à atuação de agentes públicos e políticos sob suspeita de ligação com organizações criminosas.
Apesar da gravidade das acusações, os investigados ainda têm direito à defesa. As suspeitas precisarão ser comprovadas ao longo do processo, com análise judicial das provas reunidas pela Polícia Federal.
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