O planeta está cada vez mais quente, e o alerta da ciência ficou ainda mais forte. Um estudo internacional aponta que o aquecimento global causado pela ação humana chegou a 1,37°C em 2025, em comparação com os níveis pré-industriais, período usado como referência para medir o impacto das atividades humanas sobre o clima.
O levantamento reúne mais de 70 pesquisadores de 56 instituições em 17 países e analisa, anualmente, indicadores essenciais da crise climática. Entre eles estão a temperatura média global, as emissões de gases de efeito estufa, o acúmulo de calor no planeta e o chamado orçamento de carbono, que indica quanto o mundo ainda poderia emitir antes de ultrapassar limites considerados críticos.
Segundo o estudo, se as emissões continuarem no ritmo atual, o aquecimento global causado pela ação humana pode atingir 1,5°C por volta de 2030. Esse limite é a principal referência do Acordo de Paris, firmado em 2015, e representa a meta internacional para tentar reduzir os riscos mais graves da crise climática.
Os cientistas alertam que a Terra continua acumulando calor em ritmo acelerado. A maior parte do aquecimento observado na última década foi provocada por atividades humanas, principalmente pela queima de combustíveis fósseis, como petróleo, carvão e gás natural.
O estudo também aponta que as emissões globais de gases de efeito estufa seguem em níveis muito elevados. Em 2024, elas chegaram a quase 57 bilhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente. Esse cálculo considera diferentes gases que contribuem para o aquecimento global, como o dióxido de carbono, o metano e o óxido nitroso.
Além da queima de combustíveis fósseis, o desmatamento, as queimadas, a agropecuária e processos industriais também contribuem para o aumento da concentração de gases de efeito estufa na atmosfera.
O avanço do aquecimento global preocupa porque torna mais frequentes e intensos eventos climáticos extremos. Ondas de calor, secas prolongadas, chuvas volumosas, enchentes, deslizamentos, incêndios florestais e perdas agrícolas estão entre os impactos associados ao desequilíbrio climático.
O alerta ocorre em um momento em que fenômenos naturais, como o El Niño, também podem influenciar o clima global. Embora o El Niño seja um fenômeno oceânico-atmosférico natural, seus efeitos podem ser intensificados em um planeta mais quente, ampliando riscos de calor extremo, estiagens e chuvas acima da média em diferentes regiões.
No Brasil, os impactos da crise climática já são sentidos em eventos extremos recentes, como ondas de calor, secas severas, temporais intensos e enchentes. Especialistas defendem que a resposta precisa envolver redução de emissões, combate ao desmatamento, transição energética, adaptação das cidades e proteção das populações mais vulneráveis.
O estudo reforça que o tempo para conter o avanço da temperatura está cada vez mais curto. Para os pesquisadores, limitar o aquecimento global exige ações rápidas e consistentes para reduzir a dependência de combustíveis fósseis e frear a degradação ambiental.
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