A chegada das festas juninas reacendeu um alerta antigo no Rio de Janeiro: a soltura de balões. Apesar de ainda ser vista por alguns grupos como tradição ou entretenimento, a prática representa risco real para moradores, áreas de mata, prédios, redes de energia e até para a aviação civil.
Segundo dados divulgados pela Polícia Militar, 42 balões já foram apreendidos no estado do Rio de Janeiro em 2026. Desse total, 31 foram recolhidos em pouco mais de um mês, no período entre 7 de maio e 15 de junho, justamente quando aumenta a movimentação ligada aos festejos juninos. A informação foi divulgada pela Agência Brasil e também repercutida por veículos locais.
O problema não envolve apenas pequenos artefatos. Em muitos casos, os balões são de grande porte, confeccionados com materiais inflamáveis e impulsionados por fogo. Quando sobem, ficam sem controle. Quando caem, podem atingir telhados, varandas de apartamentos, casas, fiações elétricas, áreas de vegetação e locais com grande circulação de pessoas.
O risco aumenta em períodos de tempo seco e ventos fortes. Um balão em chamas pode provocar incêndios em matas, galpões, residências e instalações públicas. Nas áreas urbanas, a queda sobre a rede elétrica pode causar curto-circuito, interrupção no fornecimento de energia e acidentes graves.
A aviação também está entre as principais preocupações. Balões podem invadir rotas de aeronaves, cair em pistas ou ser sugados por motores, criando risco de acidentes de grandes proporções. O Ministério de Portos e Aeroportos já alertou que a soltura de balões não tripulados pode comprometer a segurança do transporte aéreo, especialmente em regiões próximas a aeroportos.
Durante as ações de fiscalização, a Polícia Ambiental também tem apreendido materiais usados na fabricação dos balões, como maçaricos, botijões de gás, estruturas de armação, lanternas, buchas e fogos de artifício. Em alguns casos, os envolvidos acabam detidos em flagrante.
A prática é crime ambiental. O artigo 42 da Lei nº 9.605/1998 proíbe fabricar, vender, transportar ou soltar balões que possam provocar incêndios em florestas, áreas de vegetação, regiões urbanas ou qualquer tipo de assentamento humano. A pena prevista é de um a três anos de detenção, além de multa.
No Rio de Janeiro, denúncias podem ser feitas pelo telefone 190, da Polícia Militar. A população também pode acionar o Linha Verde, do Disque Denúncia, canal voltado para crimes ambientais. As autoridades reforçam que a denúncia é uma das principais formas de impedir a fabricação e a soltura antes que o balão ganhe o céu.
O que para alguns parece brincadeira pode terminar em tragédia. Em áreas densamente povoadas como o Rio de Janeiro, um balão sem controle representa perigo para famílias, motoristas, passageiros, equipes de emergência e moradores de comunidades próximas a áreas verdes. A orientação é clara: não solte, não fabrique, não compre e denuncie.
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