A Operação Fluxo Oculto, deflagrada nesta quinta-feira (28) pelo Ministério Público de São Paulo em conjunto com a Receita Federal, revelou um esquema bilionário de movimentações financeiras suspeitas envolvendo fintechs utilizadas pelo Primeiro Comando da Capital (PCC) para lavagem de dinheiro.
Segundo o secretário especial da Receita Federal, Robinson Sakiyama Barreirinhas, as seis fintechs investigadas movimentaram cerca de R$ 26 bilhões em operações consideradas atípicas.
De acordo com ele, uma das empresas chegou a operar mais de R$ 1 bilhão em dinheiro em espécie, o que não seria compatível com o modelo de funcionamento esperado para esse tipo de instituição financeira.
A operação foi realizada simultaneamente em São Paulo, Paraná, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul e é considerada uma nova fase da Operação Carbono Oculto, iniciada no ano anterior.
Durante entrevista coletiva, Barreirinhas afirmou que mudanças regulatórias implementadas pela Receita Federal em 2025 foram determinantes para o avanço das investigações.
Segundo ele, havia um vácuo regulatório que permitia às fintechs operarem com menor nível de transparência em relação aos bancos tradicionais.
As apurações indicam que o PCC teria reorganizado sua estrutura financeira após operações anteriores, passando a utilizar novas fintechs para ocultar recursos de origem criminosa, além de manter atividades ligadas a fraudes no setor de combustíveis e desvio de nafta petroquímica.
O Ministério Público aponta ainda o uso de “contas-bolsão” em instituições financeiras tradicionais, mecanismo que dificultaria o rastreamento das transações e ajudaria a disfarçar a origem dos valores movimentados.
Ao todo, foram cumpridos 59 mandados de busca e apreensão. As autoridades afirmam que o foco da operação é enfraquecer financeiramente organizações criminosas por meio de ações integradas de inteligência, cooperação entre órgãos e maior controle sobre o sistema financeiro.
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