A multitarefa, frequentemente considerada uma habilidade indispensável no mundo atual, pode estar prejudicando mais do que ajudando a produtividade e o bem-estar. Pular de um e-mail para o WhatsApp enquanto tenta concluir um relatório, por exemplo, dá a sensação de ser eficiente, mas estudos indicam que esse hábito reduz a capacidade cognitiva e o rendimento no trabalho.
Segundo pesquisa da Universidade de Londres, a prática constante de alternar entre tarefas pode diminuir temporariamente o QI em até 10 pontos. Isso acontece porque o cérebro não foi feito para processar múltiplas atividades ao mesmo tempo. Durante a concentração em uma tarefa, redes neurais específicas relacionadas à atenção e ao controle cognitivo são ativadas para otimizar o desempenho.
Porém, ao dividir o foco, essas redes entram em conflito, tornando o raciocínio mais lento e aumentando a chance de erros. O neurocientista Kevin Paul Madore, da Universidade de Stanford, explica que “quando existem fontes concorrentes de atenção, o desempenho na tarefa frequentemente cai”.
Além da queda na eficiência, o professor Earl Miller, do MIT, alerta que o cérebro armazena uma quantidade limitada de informações simultaneamente. Portanto, não realizamos tarefas paralelas, apenas alternamos rapidamente entre elas, e essa mudança constante demanda cerca de 23 minutos para que o foco seja totalmente recuperado após uma interrupção.
As consequências da multitarefa são preocupantes: além de uma redução de até 40% na produtividade, ela eleva níveis de estresse e prejudica sistemas essenciais do organismo, como o cardiovascular e o imunológico. Também está associada a problemas de memória, ansiedade e até depressão.
Embora algumas atividades, como caminhar enquanto se reflete sobre um problema, possam estimular a criatividade, tarefas rotineiras que exigem concentração devem ser realizadas com foco total. Talvez seja o momento de adotar o chamado “modo monge”: concentrar-se em uma tarefa de cada vez, reduzir distrações e promover maior clareza mental.
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