Supermercados de diferentes países europeus enfrentaram problemas inesperados nesta segunda-feira (2), depois que sistemas de refrigeração passaram a apresentar alterações anormais de temperatura. Os incidentes levantaram suspeitas de ataques cibernéticos e mobilizaram equipes técnicas para evitar a perda de alimentos.
As ocorrências foram relatadas na Suécia, Bélgica e Luxemburgo, envolvendo estabelecimentos de grandes redes varejistas.
Segundo informações atribuídas ao jornal britânico The Guardian, à agência Reuters e à imprensa belga, alguns equipamentos chegaram a registrar temperaturas incompatíveis com a conservação de produtos perecíveis.
Ainda não há confirmação oficial de que todos os problemas tenham sido provocados por uma ação coordenada.
Freezers chegaram a registrar 50 °C na Suécia
Na Suécia, a rede Coop informou que seis supermercados tiveram problemas em seus sistemas de refrigeração.
A ICA, outra importante empresa do setor, também relatou falhas que atingiram um número limitado de estabelecimentos.
De acordo com informações divulgadas pela Reuters, equipamentos de pelo menos uma das lojas chegaram a registrar 50 °C.
A temperatura é muito superior à necessária para manter alimentos refrigerados ou congelados e pode comprometer a segurança dos produtos armazenados.
Além dos possíveis prejuízos com mercadorias, falhas dessa natureza podem exigir a suspensão temporária de vendas e inspeções nos equipamentos.
As empresas trabalham para identificar a origem das alterações.
Problemas também atingiram Bélgica e Luxemburgo
Na Bélgica e em Luxemburgo, a rede Ahold Delhaize confirmou um incidente de tecnologia da informação que afetou dezenas de supermercados.
O jornal belga Le Soir também relatou problemas em estabelecimentos ligados às redes Spar e Carrefour.
Equipes de manutenção atuaram durante a madrugada para tentar recuperar o controle dos sistemas de refrigeração.
Entre as medidas adotadas estaria o isolamento de equipamentos das conexões de rede, estratégia utilizada para impedir possíveis comandos externos.
A prioridade das empresas é restabelecer as temperaturas adequadas e avaliar se houve comprometimento dos alimentos.
França registrou episódio semelhante em outubro
Os problemas recentes lembram incidentes relatados na França durante o mês de outubro.
Na ocasião, centenas de supermercados teriam enfrentado alterações inesperadas nos sistemas de refrigeração.
Segundo informações divulgadas sobre o caso, invasores digitais teriam conseguido modificar remotamente os termostatos, elevando temperaturas originalmente negativas para valores superiores a 50 °C.
As ocorrências provocaram preocupação com a conservação de mercadorias e a segurança dos equipamentos.
As circunstâncias do episódio francês também são objeto de investigação.
Até o momento, não foi demonstrada uma ligação entre os casos registrados nos diferentes países.
Como hackers podem interferir na refrigeração?
Supermercados modernos utilizam sistemas digitais para acompanhar o funcionamento de geladeiras, câmaras frias e freezers industriais.
Esses equipamentos podem ser conectados a redes de comunicação para permitir monitoramento, manutenção e ajustes remotos.
A tecnologia facilita a identificação de defeitos e o controle do consumo de energia, mas também exige medidas de proteção contra acessos não autorizados.
Quando existem vulnerabilidades, invasores podem tentar modificar parâmetros de funcionamento, incluindo os limites de temperatura.
Uma alteração indevida pode comprometer grandes estoques de alimentos e gerar prejuízos para os estabelecimentos.
Por isso, especialistas recomendam manter os sistemas atualizados, restringir acessos remotos e separar as redes de automação das demais estruturas digitais das empresas.
Investigação busca esclarecer origem das falhas
As autoridades e as empresas afetadas deverão analisar registros dos sistemas para determinar se houve invasão digital ou outro tipo de falha tecnológica.
Também será necessário verificar se os incidentes possuem características semelhantes e se existe alguma relação entre eles.
Enquanto a investigação avança, as redes varejistas trabalham para normalizar as operações e reduzir eventuais perdas.
O caso chama atenção para a importância da segurança cibernética em serviços essenciais ao cotidiano, especialmente aqueles relacionados à conservação e ao abastecimento de alimentos.
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