Um vídeo divulgado por veículos de comunicação locais mostra o momento em que manifestantes invadem e vandalizam uma mesquita no Irã, destruindo parte do mobiliário e da ornamentação interna.
As imagens, que circulam amplamente nas redes sociais, evidenciam a intensificação da violência registrada nos últimos dias em diferentes regiões do país. Segundo autoridades iranianas, ao menos 34 mesquitas foram incendiadas durante os distúrbios.
O chefe do Departamento de Bombeiros de Teerã, Qodratollah Mohammadi, informou que os protestos também resultaram em incêndios criminosos contra 26 residências, 40 agências bancárias, 15 centros comerciais, 13 prédios governamentais e cerca de 50 veículos, incluindo automóveis de serviços públicos.
Além dos danos materiais, confrontos entre manifestantes e forças de segurança deixaram mortos. Agentes de segurança teriam sido assassinados durante os protestos, embora o governo ainda não tenha divulgado números oficiais consolidados de vítimas fatais ou feridos relacionados aos episódios mais recentes.
Manifestantes invadiram e destruíram uma mesquita em meio a uma nova onda de violência no Irã. O presidente do país atribuiu os ataques à atuação de forças estrangeiras e denunciou mortes, incêndios e depredações registradas durante os confrontos.
Siga @diarioguanabara pic.twitter.com/oUWvP6rGoO— Diário da Guanabara (@diarioguanabara) January 12, 2026
O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, atribuiu os atos de violência à atuação de forças estrangeiras. Em declaração pública, ele afirmou que grupos externos teriam sido infiltrados no país para provocar o caos e deslegitimar manifestações pacíficas.
“Introduziram terroristas do estrangeiro. Incendiaram mesquitas. Incendiaram pessoas, decapitaram algumas. Essas pessoas não pertencem a este país. Se alguém pertence a este país, que proteste, e ouviremos seu protesto, o atenderemos e o resolveremos.
Estão matando pessoas inocentes no local, provocando incêndios; isso é inaceitável”, declarou Pezeshkian.
Os protestos tiveram início no final de 2025, após comerciantes de Teerã fecharem lojas em protesto contra a desvalorização do rial iraniano, que atingiu mínimas históricas em relação ao dólar americano. A crise econômica, agravada por sanções internacionais, tem pressionado o custo de vida da população.
O governo reconheceu o impacto das dificuldades econômicas e afirmou que manifestações pacíficas são legítimas. “Devemos melhorar nosso desempenho e prestar atenção aos resultados de nossas ações”, disse o presidente.
“Para atender ao descontentamento social, nós, funcionários públicos, devemos revisar nossa gestão e nossas instituições. Acho que a culpa é minha. A culpa é nossa”, acrescentou.
Apesar disso, as autoridades alertaram para a presença de grupos ligados a serviços de inteligência estrangeiros que estariam atuando para transformar protestos pacíficos em episódios violentos.
No município de Malekshahi, na província de Ilam, confrontos registrados no sábado (3) resultaram na morte de ao menos três manifestantes e um policial, além de diversos feridos, segundo a agência Mehr. Um hospital teria sido atacado e vias públicas sofreram depredações.
Situação semelhante foi registrada em 6 de janeiro na cidade de Abdanan, onde, de acordo com a imprensa local, um grupo organizado provocou distúrbios após uma manifestação inicialmente pacífica.
Informações divulgadas por veículos ocidentais sobre a tomada das cidades por manifestantes foram negadas pelo governo iraniano, que afirmou ter reforçado a presença policial na região.
A onda de protestos mantém o Irã em estado de alerta, enquanto o governo busca conter a violência, preservar a ordem pública e diferenciar manifestações sociais de ações consideradas criminosas.
*Compartilhe este artigo do Diário da Guanabara, o melhor site de notícias do Rio de Janeiro.












