O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, apresentou nesta sexta-feira (9) os principais pontos de sua visão sobre o petróleo da Venezuela durante uma reunião, na Casa Branca, com representantes de grandes empresas petrolíferas interessadas em atuar no país sul-americano. Segundo Trump, o acesso dos Estados Unidos ao petróleo venezuelano continuará “indefinidamente”.
O encontro ocorreu no Salão Oval e contou com a presença de integrantes do Executivo americano. De acordo com Trump, a reunião faz parte de um plano mais amplo para reposicionar a Venezuela como principal aliada energética dos Estados Unidos, após décadas de sanções e de tensões diplomáticas entre os dois países.
Durante a conversa com empresários, o presidente elogiou a operação que resultou no controle das maiores reservas de petróleo do mundo e afirmou que a exploração desses recursos será fundamental para reduzir os preços do petróleo no mercado interno americano. Para Trump, esse é um “fator muito importante” para beneficiar diretamente a população dos Estados Unidos.
O presidente também deixou claro que as negociações das empresas petrolíferas deverão ser feitas diretamente com Washington, e não com Caracas. “Não queremos que negociem com a Venezuela”, afirmou, ao reforçar que os termos de atuação serão definidos sob supervisão do governo americano.
Segundo Trump, as empresas dos EUA devem investir pelo menos US$ 100 bilhões no setor petrolífero venezuelano, utilizando recursos próprios, sem aporte financeiro do governo federal. Ele mencionou ainda ter sinalizado anteriormente à Chevron que a companhia permaneceria no país. “Seis meses atrás, eu disse a vocês: vocês vão ficar. As coisas vão acontecer. Vocês serão muito felizes”, declarou.
Trump anunciou que Washington e Caracas chegaram a um entendimento para a venda e o refino imediato de até 50 milhões de barris de petróleo venezuelano. Ele classificou o produto como “petróleo muito bom” e afirmou que o fornecimento aos Estados Unidos não terá prazo para terminar. Segundo o presidente, cerca de 30 milhões de barris já teriam sido enviados aos EUA, com valor estimado em US$ 4 bilhões.
O presidente também afirmou ter comunicado à China e à Rússia que não deseja a presença dos dois países na Venezuela. “Nós nos damos muito bem com vocês, nós os apreciamos muito, mas não os queremos lá”, disse, referindo-se a Pequim e Moscou.
No campo político, Trump declarou que, com a saída do presidente venezuelano Nicolás Maduro, abre-se espaço para “um futuro incrível” nas relações bilaterais. Segundo ele, as economias dos dois países passarão a ser integradas de forma mais estreita como grandes potências energéticas do hemisfério ocidental.
Trump afirmou ainda que seu governo mantém boa relação com a presidente encarregada da Venezuela, Delcy Rodríguez, e com o povo venezuelano. Para ele, o novo governo teria tomado decisões “certas e inteligentes” para evitar uma nova ofensiva militar americana. “Eles não querem passar por uma segunda onda”, afirmou, ao mencionar possíveis bombardeios.
O presidente dos Estados Unidos não descartou a possibilidade de se reunir pessoalmente com Delcy Rodríguez e disse que pretende encontrar representantes da Venezuela em breve, embora o encontro ainda não esteja oficialmente organizado.
O contexto das declarações ocorre após a ofensiva militar lançada pelos Estados Unidos no sábado (3), em território venezuelano, que terminou com a detenção de Nicolás Maduro e de sua esposa, levados para Nova York. Caracas classificou a ação como uma grave agressão militar e acusou Washington de tentar se apropriar de seus recursos estratégicos, especialmente petróleo e minerais.
Maduro se declarou inocente das acusações de narcoterrorismo em audiência no Tribunal do Distrito Sul de Nova York. Delcy Rodríguez assumiu o cargo de presidente encarregada da Venezuela na segunda-feira (5). Rússia, China e outros países pediram a libertação de Maduro e defenderam o direito da Venezuela de decidir seu próprio destino sem interferência externa.
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