A aviação global enfrenta um de seus maiores desafios: reduzir emissões e caminhar para a neutralidade de carbono até 2050. No centro dessa transformação estão os combustíveis de aviação sustentáveis (SAF, na sigla em inglês), apontados como responsáveis por até 70% da redução necessária, segundo especialistas do setor.
Neste ano, a União Europeia e o Reino Unido tornaram obrigatório que 2% do combustível usado pelas companhias aéreas seja sustentável. Até 2030, o índice deve subir para 6% na UE e 10% no Reino Unido. A medida é considerada um passo importante, mas já gera controvérsias.
Enquanto algumas empresas investem em contratos de fornecimento e novas tecnologias, outras duvidam da viabilidade. Michael O’Leary, CEO da Ryanair, classificou o SAF como “absurdo” e disse não acreditar que as metas sejam cumpridas. Willie Walsh, diretor-geral da Iata, admite frustração com o ritmo de avanço, mas insiste que o SAF é essencial: “O desafio é transformar o que é tecnicamente possível em algo comercialmente viável”.

Governos buscam incentivar a produção. No Reino Unido, um projeto de lei pretende garantir preço mínimo para o SAF e atrair investimentos. Ainda assim, apenas uma planta industrial em operação produz em escala, enquanto outros projetos sofrem atrasos. A decisão da Shell de suspender a construção de uma grande fábrica em Roterdã acendeu alerta sobre os riscos de dependência de poucos fornecedores.
Além da dificuldade de produção em larga escala, o setor enfrenta desafios geopolíticos. A competição por matérias-primas, como óleo de cozinha reciclado e resíduos domésticos, pode limitar a oferta e encarecer o combustível. Analistas afirmam que, sem incentivos claros e estáveis, os custos inevitavelmente serão repassados aos passageiros.
Apesar das incertezas, investidores globais ainda enxergam potencial no SAF como solução de longo prazo. Para eles, abandonar o plano de emissões zero não é opção para as companhias aéreas, mesmo que a transição seja turbulenta e marcada por altos custos.
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