O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskyy, reagiu de forma contundente às declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que o apontaram como principal entrave para um acordo de paz com a Rússia. Segundo Zelensky, a Ucrânia “nunca foi e nunca será um obstáculo à paz” e segue comprometida com o fim do conflito iniciado há quase quatro anos.
A resposta veio após Trump afirmar em entrevista à Reuters, em 15 de janeiro, que o presidente russo, Vladimir Putin, estaria disposto a negociar, enquanto Kiev demonstraria resistência. Questionado sobre o motivo do fracasso das negociações lideradas por Washington, Trump resumiu sua avaliação citando diretamente o nome de Zelensky.
O governo russo reagiu rapidamente às falas do presidente americano. O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, declarou concordar com a análise de Trump e afirmou que a margem de decisão do governo ucraniano estaria cada vez mais limitada. A posição de Moscou, no entanto, foi contestada por líderes europeus.
O primeiro-ministro da Polônia, Donald Tusk, afirmou que foi a Rússia quem rejeitou propostas de paz apresentadas pelos Estados Unidos, respondendo apenas com novos ataques contra cidades ucranianas. Já o presidente da República Tcheca, Petr Pavel, declarou durante visita a Kiev que a Ucrânia já fez concessões significativas e demonstrou disposição para negociar, enquanto Moscou segue recusando avanços concretos.
Zelensky reforçou sua posição destacando o impacto humanitário dos ataques russos. Em pronunciamento recente, ele afirmou que a destruição sistemática da infraestrutura energética e os longos períodos sem eletricidade enfrentados pela população evidenciam que a Rússia não age como um parceiro interessado na paz.
A situação se agravou com a decretação de emergência energética em meio ao inverno rigoroso. Autoridades ucranianas relataram que diversas regiões permanecem sem aquecimento após bombardeios, e o governo informou que praticamente todas as usinas do país já foram atingidas desde o início da guerra.
Apesar das divergências públicas, o presidente ucraniano confirmou que uma delegação oficial viajará aos Estados Unidos para discutir garantias de segurança e planos de reconstrução no pós-guerra. Há expectativa de que documentos possam ser formalizados durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos, na próxima semana.
Zelensky reiterou que a Ucrânia deseja encerrar o conflito o quanto antes, mas sustenta que o adiamento de um acordo está ligado à postura russa. Avaliação semelhante foi feita pelo Institute for the Study of War, que apontou estratégias do Kremlin para prolongar o conflito e alcançar objetivos militares por outros meios.
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