A crise provocada pelo avanço do surto de ebola no leste da República Democrática do Congo ganhou novos contornos de preocupação após episódios de violência contra hospitais responsáveis pelo atendimento de pacientes infectados.
Na província de Ituri, unidades médicas foram invadidas nos últimos dias, resultando na fuga de pessoas que estavam em isolamento por suspeita ou confirmação da doença.
De acordo com informações divulgadas nesta segunda-feira (25), o Hospital Geral de Mongbwalu sofreu dois ataques durante o fim de semana.
A situação provocou a saída de ao menos 25 pacientes da unidade, segundo relatos de profissionais de saúde que atuam na região.
O diretor do hospital, Richard Lokodu, informou que áreas utilizadas pela organização Médicos Sem Fronteiras para manter pacientes isolados foram incendiadas durante as invasões.
Entre os pacientes que deixaram o local, estaria ao menos uma pessoa com diagnóstico confirmado de ebola, além de outros casos considerados suspeitos.
As autoridades de saúde alertam que a fuga representa risco elevado de disseminação do vírus, já que pacientes potencialmente contaminados podem continuar circulando sem acompanhamento médico adequado.
O temor é que a transmissão aumente rapidamente em áreas já marcadas por dificuldades estruturais e instabilidade social.
Segundo médicos que trabalham na região, os ataques teriam sido motivados pela insatisfação de familiares de vítimas da doença. Muitos exigiam a liberação dos corpos para a realização de funerais tradicionais, prática considerada extremamente perigosa pelas equipes sanitárias.
Especialistas explicam que vítimas do ebola continuam altamente infecciosas mesmo após a morte, tornando cerimônias funerárias um dos principais fatores de propagação do vírus em surtos anteriores registrados no continente africano.
O cenário no leste congolês também é agravado por problemas de segurança e limitações de acesso humanitário, dificultando ações de contenção, rastreamento de contatos e atendimento médico.
Organizações internacionais acompanham o avanço da doença enquanto autoridades locais tentam restabelecer o controle das unidades de saúde atingidas.
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