O Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (DHS) pode enfrentar uma paralisação oficial à meia-noite após o Senado não conseguir aprovar o projeto de lei que garantiria a continuidade do financiamento da agência. Sem acordo entre republicanos e democratas, os parlamentares deixaram Washington para um recesso prolongado, ampliando o risco de interrupção parcial dos serviços federais.
A proposta de financiamento não atingiu os 60 votos necessários para avançar na votação. O placar foi de 52 a 47, praticamente dividido entre os partidos. O senador democrata John Fetterman foi o único da legenda a votar a favor do texto. Também fracassou uma tentativa de manter temporariamente os recursos por mais duas semanas.
O impasse ocorre em meio a fortes críticas de parlamentares democratas às operações de imigração conduzidas pelo governo Donald Trump. A oposição protesta contra o que classifica como uso excessivo de força em ações recentes em Minneapolis, que resultaram na morte de dois cidadãos americanos. Diante do episódio, democratas exigem mudanças estruturais na atuação do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) e da Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP), órgãos subordinados ao DHS.
Entre as propostas defendidas estão a obrigatoriedade de mandados judiciais para entrada em propriedades privadas e a ampliação do uso de câmeras corporais por agentes federais. Os republicanos concordaram com o uso de câmeras, mas rejeitaram outras exigências.
O líder democrata no Senado, Chuck Schumer, acusou os republicanos de priorizarem o confronto político em vez de negociações. Segundo ele, qualquer avanço depende de um acordo que reformule os procedimentos de fiscalização migratória.
Serviços sob risco
Caso a paralisação se confirme, alguns serviços federais podem ser afetados. Atividades consideradas essenciais, como as operações do ICE e da CBP, devem continuar funcionando, já que possuem financiamento garantido por legislação anterior aprovada no ano passado.
A interrupção pode atingir principalmente áreas como a Administração de Segurança do Transporte (TSA), o Serviço Secreto e a Agência Federal de Gerenciamento de Emergências (FEMA). Funcionários da TSA, incluindo agentes de inspeção em aeroportos, devem continuar trabalhando sem remuneração temporária para evitar colapso nas viagens domésticas.
Já a FEMA pode sofrer impacto mais significativo. Parte dos servidores poderá ser dispensada sem pagamento, o que pode comprometer a coordenação com estados e municípios em casos de desastres naturais.
O Congresso já havia enfrentado uma paralisação parcial no fim de janeiro, quando não conseguiu aprovar um pacote orçamentário completo. Na ocasião, as agências federais foram financiadas até o fim do ano fiscal, com exceção do DHS, cujo orçamento foi prorrogado temporariamente.
Com o recesso legislativo programado para os próximos dias, a perspectiva de um acordo imediato é considerada remota, o que aumenta a possibilidade de uma paralisação prolongada.
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