Migrantes que são deportados ou retidos no México enfrentam uma série de obstáculos para tentar reconstruir a vida após a passagem pelos Estados Unidos. Reportagem do jornal mexicano Milenio revela que o cenário inclui dificuldade para encontrar emprego, falta de políticas públicas efetivas e estadias cada vez mais longas em abrigos que deveriam funcionar apenas como apoio temporário.
Na Casa del Migrante, em San Pedro Tlaquepaque, no oeste do país, a mudança é evidente. Antes, a passagem dos migrantes durava poucos dias ou semanas. Agora, muitas famílias permanecem ali por meses — e, em alguns casos, até anos. O abrigo atualmente acolhe 45 pessoas, entre adultos e crianças.
A permanência depende de duas condições: que as crianças frequentem a escola local e que os adultos busquem vaga no mercado de trabalho. Mesmo assim, a recolocação profissional é um dos maiores desafios, já que a economia mexicana e a falta de políticas estruturadas limitam as oportunidades.
Os migrantes atendidos no local vêm principalmente de Honduras, Guatemala, El Salvador, Venezuela e Nicarágua. Embora a capacidade oficial do abrigo seja de 100 pessoas, a Casa del Migrante já recebeu milhares em períodos de forte pressão migratória, evidenciando a intensidade do fluxo e a vulnerabilidade dessas populações.
A situação reflete diretamente as políticas migratórias dos Estados Unidos, que têm resultado em um número crescente de deportações e na permanência forçada de migrantes em território mexicano, onde tentam, muitas vezes com poucos recursos, um recomeço incerto.
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