O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta segunda-feira (22), na Conferência Internacional para a Solução Pacífica da Questão Palestina, que os atos terroristas cometidos pelo Hamas são inaceitáveis e que o Brasil já os condenou enfaticamente. No entanto, ele destacou que o direito de defesa não justifica a matança indiscriminada de civis e o uso da fome como arma de guerra.
Segundo Lula, o que ocorre atualmente em Gaza não é apenas o extermínio do povo palestino, mas uma tentativa de aniquilar o sonho da nação palestina. Citando a Comissão de Inquérito sobre os Territórios Palestinos Ocupados, o presidente classificou os acontecimentos como genocídio.
A conferência, realizada em Nova York e que antecede a Assembleia Geral da ONU, reuniu líderes mundiais para discutir soluções para o conflito entre Israel e Palestina. Lula reforçou o apoio brasileiro ao reconhecimento do Estado Palestino, conforme o plano de partilha aprovado pela ONU há 78 anos, que previa a criação de dois Estados — um ideal ainda não plenamente realizado.
“Um Estado se assenta sobre três pilares: território, população e governo. Todos têm sido sistematicamente solapados no caso palestino”, afirmou o presidente, destacando a expansão dos assentamentos ilegais, a limpeza étnica e a fragilização da Autoridade Palestina.
Lula também ressaltou que mais de 50 mil crianças palestinas foram vítimas de violência e que cerca de 90% dos lares foram destruídos. Ele denunciou que meio milhão de palestinos enfrenta a fome, um número maior do que a população de Miami ou Tel Aviv.
O Brasil decidiu participar do caso apresentado pela África do Sul à Corte Internacional de Justiça, buscando responsabilizar os envolvidos pelos crimes cometidos na região. Lula destacou ainda que tanto Israel quanto Palestina têm o direito de existir e que trabalhar pela efetivação do Estado palestino é essencial para avançar no diálogo e na paz.
O presidente brasileiro elogiou países que já reconheceram a Palestina e reafirmou o compromisso do Brasil em controlar a importação de produtos provenientes de assentamentos ilegais e suspender exportações de material bélico que possam ser usados em crimes contra a humanidade.
Diante da omissão do Conselho de Segurança da ONU, Lula defendeu que a Assembleia Geral deve exercer seu papel e apoiou a criação de um órgão similar ao Comitê Especial contra o Apartheid, que foi fundamental no fim do regime segregacionista na África do Sul.
“Garantir o direito de autodeterminação da Palestina é um ato de justiça e um passo crucial para restaurar o multilateralismo e o nosso sentido coletivo de humanidade”, concluiu o presidente.
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