O presidente do Parlamento do Irã, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou neste domingo, 31 de maio de 2026, que Teerã não aprovará nenhum acordo com os Estados Unidos enquanto não tiver garantias de que os direitos do povo iraniano serão respeitados. A declaração ocorre em meio a negociações sensíveis entre os dois países e reforça o clima de desconfiança entre Teerã e Washington.
Durante discurso na sessão de abertura do terceiro ano do 12º Parlamento iraniano, Ghalibaf disse que os negociadores do país não trabalham com base em declarações, garantias verbais ou promessas feitas pelo lado norte-americano. Segundo ele, o critério do Irã será a obtenção de resultados “objetivos e concretos”.
“Não aprovaremos nenhum acordo até termos certeza de que os direitos do povo iraniano foram garantidos”, declarou Ghalibaf, segundo veículos internacionais que acompanham a crise. A fala sinaliza que, mesmo com conversas em andamento, Teerã pretende condicionar qualquer avanço a concessões verificáveis por parte dos Estados Unidos.
O dirigente iraniano também afirmou que a unidade interna do país foi decisiva para o que chamou de recuo do adversário. Para ele, a combinação entre preparação militar, capacidade defensiva e coesão popular fortaleceu a posição iraniana nas negociações.
A declaração se soma a outra fala recente de Ghalibaf que elevou ainda mais o tom. Na sexta-feira, 29 de maio, ele afirmou que o Irã obtém concessões “não por meio do diálogo, mas com mísseis”, e que as negociações serviriam para fazer a outra parte compreender essa realidade.
A retórica dura ocorre em um momento de impasse diplomático. Autoridades iranianas têm rejeitado a ideia de que um acordo esteja próximo, embora admitam que houve algum progresso nas conversas. Entre os pontos sensíveis estão garantias de segurança, sanções, ativos iranianos congelados e o papel regional do país.
Do lado norte-americano, também há sinais contraditórios. O presidente Donald Trump indicou que busca termos mais rígidos para um eventual acordo e afirmou não ter pressa para concluir as negociações. Entre as exigências atribuídas a Washington estão restrições ao programa nuclear iraniano e garantias sobre a navegação no Estreito de Ormuz, ponto estratégico para o comércio global de petróleo.
O Estreito de Ormuz voltou ao centro da tensão regional nos últimos dias. O Irã afirmou que a passagem permanece sob seu “controle total”, enquanto países ocidentais acompanham com preocupação qualquer ameaça à circulação de navios em uma das rotas marítimas mais importantes do mundo.
A fala de Ghalibaf indica que o Irã pretende manter uma posição de força nas tratativas. Ao afirmar que “o vencedor de qualquer acordo é aquele que estiver mais preparado para a guerra no dia seguinte”, o presidente do Parlamento reforçou a visão de que diplomacia e capacidade militar caminham juntas na estratégia iraniana.
Apesar do tom elevado, as negociações ainda não foram encerradas. Analistas internacionais avaliam que as declarações públicas fazem parte da pressão política de ambos os lados, mas também revelam a profundidade da desconfiança acumulada entre Irã e Estados Unidos.
Até o momento, não há confirmação de um acordo final. A tendência é que as próximas rodadas de negociação sejam decisivas para indicar se Teerã e Washington conseguirão transformar declarações de força em compromissos verificáveis.
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