Pesquisadores da Universidade Estadual de Oregon, nos Estados Unidos, estimam que dezenas de milhares de edificações podem ter sido afetadas pelos terremotos registrados na Venezuela na última semana.
A análise, baseada em imagens de satélite da Nasa e do sistema Sentinel-1, aponta a possibilidade de até 58,8 mil edifícios danificados ou destruídos nas áreas atingidas, em uma avaliação ainda preliminar.
O estudo foi desenvolvido pelos geógrafos Corey Scher e Jamon Van Den Hoek, que compararam registros orbitais obtidos antes e depois dos abalos sísmicos. A metodologia utiliza técnicas de detecção de mudanças na superfície urbana, capazes de identificar variações estruturais que indicam colapsos ou danos severos em construções.
Segundo os pesquisadores, as áreas destacadas em vermelho nas análises representam locais com maior probabilidade de comprometimento, com estimativas que podem ultrapassar 75% de chance de dano estrutural. O modelo considera um edifício como potencialmente afetado quando ao menos metade de sua área apresenta alterações significativas entre as imagens analisadas.
Os autores reforçam que os dados ainda são preliminares e não passaram por validação completa. A técnica utilizada é semelhante à aplicada em mapeamentos de destruição em zonas de conflito, onde variações na coerência de imagens de radar permitem estimar perdas em larga escala.
A concentração dos danos estimados se dá principalmente no corredor urbano de Caracas e em regiões costeiras centrais, coincidindo com os mapas de intensidade sísmica registrados após os tremores, que atingiram magnitudes de 7,2 e 7,5.
Paralelamente, o governo da Venezuela divulgou números mais conservadores sobre os impactos. Até o último domingo (28), autoridades contabilizaram 774 edifícios colapsados, entre estruturas totalmente destruídas e outras com danos parciais relevantes.
Para lidar com a situação, foi criada uma comissão técnica responsável por avaliar a estabilidade das construções remanescentes e classificar os riscos estruturais. O sistema de avaliação divide os imóveis em três categorias — vermelho, amarelo e verde — conforme o grau de comprometimento, priorizando intervenções emergenciais em áreas consideradas mais críticas.
O desastre sísmico deixou um impacto humano expressivo, com milhares de mortos e feridos, além de desaparecidos ainda não contabilizados. Organismos internacionais alertam que o número total de vítimas pode aumentar à medida que equipes de resgate conseguem acessar regiões isoladas e áreas com colapso de infraestrutura.
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