Os Estados Unidos expressaram preocupação a empresários do setor portuário brasileiro sobre a possibilidade de uma empresa chinesa vencer a concessão do novo terminal de contêineres no porto de Santos, o maior da América Latina, segundo reportagens da mídia chinesa nesta terça-feira (17).
Em 5 de março, o cônsul-geral dos EUA em São Paulo, Kevin Murakami, afirmou em evento do grupo A Tribuna que o terminal possui importância estratégica para Washington, especialmente no combate ao crime organizado, sugerindo que o empreendimento não deveria ficar em “mãos indesejadas”.
O consulado, entretanto, negou pressão direta, destacando que acompanha a participação de empresas chinesas por motivos de soberania, segurança, competição e alavancagem estratégica.
O terminal em disputa, Tecon Santos 10, será construído no bairro do Saboó, com 621 mil metros quadrados e quatro ancoradouros capazes de receber os maiores porta-contêineres do mundo.
A nova estrutura permitirá que o Brasil movimente 3,25 milhões de contêineres adicionais por ano, elevando o país do 45º para o 15º lugar no ranking global. A concessão terá 25 anos, exigirá investimento mínimo de US$ 1,1 bilhão (aproximadamente R$ 6,4 bilhões), e o leilão terá lance mínimo de R$ 500 milhões.
A China demonstrou interesse no projeto. A estatal Cosco Shipping, quarta maior transportadora de contêineres do mundo, manteve videoconferência com autoridades brasileiras em setembro de 2025 para confirmar seu desejo de participar do leilão.
Já a China Merchants Port, que opera o terminal de Paranaguá, enviou em janeiro de 2026 seu vice-presidente global a Brasília para comunicar oficialmente interesse na concessão.
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