A crise energética global, intensificada pelo conflito no Oriente Médio, já provoca impactos severos em diversos países da Ásia, com episódios de violência associados à escassez de combustível.
Em Bangladesh, um dos mais afetados, grupos criminosos passaram a roubar gasolina durante a noite e atacar veículos de transporte. Funcionários de postos também vêm sendo alvo de agressões, com ao menos uma morte registrada, segundo o jornal The Washington Post.
Casos semelhantes foram registrados na Índia e no Paquistão, incluindo mortes relacionadas a roubos e revoltas populares diante da falta de combustível. Já nas Filipinas, trabalhadores do setor de transporte iniciaram uma greve em protesto contra a alta do diesel.
Mesmo com tentativas dos governos de amenizar os efeitos da crise — como subsídios e uso de reservas estratégicas —, a incerteza sobre a duração do conflito coloca em risco a continuidade dessas medidas.
Países mais pobres enfrentam maior vulnerabilidade, mas economias mais desenvolvidas, como Austrália e França, também registram furtos de combustível e insatisfação entre caminhoneiros.
No caso de Bangladesh, onde cerca de um quarto da população vive em situação de pobreza e a dependência de energia importada chega a 95%, o cenário se agravou com compras em excesso e o surgimento de um mercado ilegal.
A população enfrenta longas filas nos postos, enquanto ataques incluem incêndios e agressões. Para conter a crise, o governo limitou o abastecimento por motorista, reforçou a segurança em depósitos e iniciou julgamentos acelerados contra envolvidos em estocagem ilegal.
A crise está diretamente ligada ao bloqueio quase total do Estreito de Ormuz pelo Irã, após ações militares dos Estados Unidos e de Israel. A região é estratégica para o mercado global, já que cerca de 20% do petróleo mundial passa por essa rota.
Autoridades iranianas afirmam que apenas países considerados aliados, como China, Rússia, Índia, Iraque e Paquistão, têm autorização para atravessar a rota.
Enquanto isso, a proposta dos Estados Unidos de formar uma coalizão naval para garantir o fluxo marítimo foi rejeitada por aliados, incluindo membros da OTAN, mantendo o cenário de instabilidade e elevando ainda mais os preços globais de energia.
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