A insatisfação social voltou a ganhar força em diferentes pontos da Europa nesta semana. Na Espanha, o governo anunciou novas medidas para tentar amenizar a crise habitacional, marcada pela falta de imóveis e pelo aumento dos preços. Ao mesmo tempo, manifestações estudantis que começaram na França se espalharam para a Bélgica e provocaram confrontos com as forças de segurança.
Fora da Europa, outro episódio também chamou atenção internacionalmente. Nos Estados Unidos, Christa Pike, condenada à pena de morte no Tennessee, recuperou a consciência após sobreviver a uma tentativa de execução por injeção letal.
Espanha anuncia pacote contra crise habitacional
O governo de Pedro Sánchez aprovou um conjunto de 21 medidas para tentar ampliar o acesso à moradia e reduzir os impactos da alta dos custos habitacionais.
A decisão ocorreu poucos dias depois de o Parlamento rejeitar dois decretos apresentados anteriormente pelo governo para enfrentar o problema. Parte das propostas voltou a ser incluída no novo pacote aprovado pelo Conselho de Ministros.
Entre as iniciativas estão incentivos para ampliar a oferta de imóveis para aluguel a preços acessíveis, benefícios fiscais para proprietários, financiamento destinado à compra do primeiro imóvel e medidas de proteção para inquilinos em situação de vulnerabilidade.
O governo também anunciou uma linha de financiamento de € 10 bilhões, administrada pelo Instituto de Crédito Oficial (ICO). O programa prevê empréstimos sem juros de até € 50 mil para pessoas que pretendem adquirir a primeira residência.
As medidas, no entanto, têm caráter provisório e ainda dependem de ratificação parlamentar durante o período em que o Parlamento permanece dissolvido.
Crise habitacional aumenta pressão sobre governo
O problema da moradia tem provocado mobilizações em diferentes cidades espanholas. Em Barcelona, manifestações recentes terminaram com episódios de violência.
A dificuldade de aprovar medidas no Parlamento também aumentou a pressão política sobre o governo de Pedro Sánchez. Em meio ao cenário de instabilidade, foram convocadas eleições gerais antecipadas para 29 de novembro.
Além das manifestações, sindicatos ligados ao setor habitacional convocaram uma greve geral para 11 de novembro.
Protestos estudantis chegam à Bélgica
A onda de manifestações envolvendo estudantes também ultrapassou as fronteiras francesas e chegou à Bélgica.
Em Liège, centenas de jovens participaram de protestos contra problemas enfrentados pelo sistema de ensino de língua francesa. Entre as reclamações estão o aumento dos custos da educação, salas de aula lotadas e dificuldades para conseguir materiais de estudo.
A mobilização terminou com confrontos e episódios de vandalismo. Segundo informações divulgadas pelas autoridades e pela imprensa local, mais de 100 pessoas foram detidas nos últimos dias durante os protestos.
A polícia utilizou gás lacrimogêneo e canhões de água para dispersar alguns grupos. As manifestações ocorrem após outros atos contra reformas no sistema educacional e o aumento das mensalidades para estudantes da comunidade francófona.
França registra milhares de detenções
Na França, os protestos estudantis continuam ocorrendo em diferentes regiões. Os manifestantes reivindicam melhores condições nas escolas, aumento dos investimentos, contratação de professores e melhorias na infraestrutura.
O movimento começou no fim de setembro e passou a envolver também professores, pais e sindicatos.
Dados do Ministério da Justiça francês apontam que mais de 5 mil pessoas haviam sido colocadas sob custódia policial até o início de outubro. Cerca de 87% eram menores de idade.
As autoridades ressaltam que os números estão principalmente relacionados a episódios de violência registrados durante ou nas proximidades das manifestações e não significam que todos os estudantes participantes tenham se envolvido em confrontos.
A atuação das forças de segurança também passou a ser questionada após denúncias de violência contra estudantes. Na quarta-feira (7), o governo francês anunciou a suspensão do uso de determinadas granadas de efeito moral em protestos estudantis depois que um adolescente sofreu uma grave lesão durante uma ação policial.
Investigações foram abertas para apurar possíveis condutas inadequadas durante as operações.
Christa Pike recupera a consciência após tentativa de execução
Nos Estados Unidos, o caso de Christa Pike teve uma nova reviravolta após a condenada recuperar a consciência depois da tentativa de execução realizada no Tennessee em 30 de setembro.
De acordo com seus advogados, Pike, de 50 anos, voltou a falar enquanto permanece internada. A defesa, porém, afirma que o quadro ainda é delicado e que o processo de recuperação deve ser longo.
Durante a execução, foram administradas duas doses de pentobarbital. Como Pike não morreu, o procedimento acabou interrompido e ela foi encaminhada para atendimento médico.
Os advogados relataram que a condenada sofreu lesões nos braços provocadas pelas tentativas de acesso intravenoso. Também foram informados problemas como pneumonia, coágulo sanguíneo, dificuldade para engolir e incapacidade de movimentar os braços.
Pike foi condenada à morte pelo assassinato de Colleen Slemmer, sua colega de escola, em 1995. O caso ganhou repercussão internacional após a tentativa de execução malsucedida.
Depois do episódio, o governador do Tennessee, Bill Lee, determinou a suspensão das execuções no estado durante o restante de 2026 e ordenou uma investigação independente sobre os procedimentos utilizados.
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