A escalada do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã já provoca fortes impactos no mercado internacional de energia e pode desencadear uma nova crise global no setor de combustíveis.
De acordo com análise publicada pelo jornal Financial Times com base em fontes de Wall Street, o bloqueio do estreito de Ormuz reduziu drasticamente o fluxo diário de petróleo e acendeu o alerta entre bancos e especialistas do mercado financeiro.
Estimativas do banco Goldman Sachs indicam que o volume de petróleo que atravessa o estreito caiu para cerca de 600 mil barris por dia desde o início do conflito.
Em condições normais, mais de 19 milhões de barris transitam diariamente pela passagem marítima, considerada uma das rotas energéticas mais estratégicas do planeta.
Analistas do mercado projetam que os impactos sobre o abastecimento global podem se intensificar rapidamente. Natasha Kaneva, especialista em commodities do banco JP Morgan, avalia que os cortes no fornecimento mundial de petróleo podem alcançar até 12 milhões de barris por dia até o fim da próxima semana.
Caso o cenário se confirme, a redução da oferta pode provocar escassez de combustíveis derivados do petróleo, como diesel, combustível de aviação, gás liquefeito de petróleo (GLP) e nafta, afetando diretamente cadeias industriais e o transporte global.
Preço do petróleo dispara no mercado internacional
A instabilidade geopolítica já se reflete no mercado de commodities. O barril do petróleo Brent ultrapassou a marca de 100 dólares e especialistas alertam que os preços podem subir ainda mais nas próximas semanas.
Segundo analistas, o valor pode alcançar ou até superar 128 dólares por barril, patamar máximo registrado em 2022. Em um cenário mais extremo, os preços poderiam atingir até 147 dólares, recorde histórico observado em 2008 durante outra grande crise energética.
A empresa canadense RBC Capital Markets também revisou suas projeções. A diretora global de commodities da instituição, Helima Croft, afirmou que as previsões de preço estão sendo ajustadas para cima diante da possibilidade de que o conflito no Oriente Médio se prolongue por vários meses.
Impacto maior deve atingir países da Ásia
Especialistas avaliam que os países asiáticos tendem a sofrer os efeitos mais severos da crise energética. A região depende fortemente da importação de petróleo e de mercadorias transportadas por rotas marítimas que passam pelo estreito de Ormuz.
Ben Cahill, pesquisador do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais, em Washington, explica que o aumento dos preços da energia pode alterar o comportamento dos consumidores em diversas partes do mundo.
Segundo ele, a tendência é que haja redução de viagens consideradas não essenciais, tanto de carro quanto de avião, além de uma corrida por estoques de combustíveis e outros produtos diante do receio de desabastecimento.
Estreito de Ormuz é rota estratégica para energia mundial
O estreito de Ormuz é uma das principais passagens marítimas do planeta para o transporte de petróleo. Aproximadamente 20% de todo o petróleo comercializado no mundo passa por essa região, localizada entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã.
Desde o início dos ataques militares envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, os preços da energia passaram a apresentar forte volatilidade.
No domingo (8), o mercado registrou uma oscilação expressiva: o barril de petróleo superou os 100 dólares e chegou perto de 120 dólares nas primeiras horas do dia. Apesar de uma leve retração posterior, os preços seguem instáveis.
A Guarda Revolucionária do Irã declarou que permitirá a passagem pelo estreito apenas para países que rompam relações diplomáticas com Estados Unidos e Israel.
Segundo a agência iraniana ISNA, a organização também informou que navios norte-americanos e de países aliados não poderão atravessar a rota marítima estratégica.
O agravamento da tensão no Oriente Médio mantém os mercados em alerta e aumenta as preocupações sobre uma possível crise energética global nos próximos meses.
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