A Ucrânia enfrenta o momento mais crítico de sua crise energética desde o início da invasão russa em larga escala, há quase quatro anos. Na noite entre os dias 26 e 27 de janeiro, forças russas lançaram cerca de 165 drones contra cidades ucranianas, provocando apagões em larga escala e agravando a situação humanitária em meio a temperaturas extremas.
Um dos locais mais afetados foi Kharkiv, segunda maior cidade do país, onde aproximadamente 80% do território ficou sem fornecimento de energia elétrica. Durante o ataque, os termômetros marcaram menos 14 graus Celsius, deixando milhares de moradores sem aquecimento em plena onda de frio.
De acordo com o presidente ucraniano Volodymyr Zelenskyy, mais de 50 drones também atingiram alvos estratégicos na cidade de Odesa, no sul do país, deixando ao menos 23 pessoas feridas. No oeste, uma instalação da Naftogaz, localizada na região de Lviv, foi atingida, provocando incêndios e a interrupção das operações. Este foi o 15º ataque direcionado à infraestrutura da estatal apenas neste mês.
Escalada da crise humanitária
Desde outubro, a Ucrânia contabiliza pelo menos 256 ataques aéreos contra instalações de energia e sistemas de aquecimento. Segundo o ministro da Economia, Oleksii Sobolev, os danos já comprometeram cerca de 8,5 gigawatts da capacidade nacional de geração elétrica.
O impacto é sentido diretamente pela população, que em algumas regiões recebe apenas três ou quatro horas seguidas de eletricidade, seguidas por apagões que podem durar até 15 horas. Em diversos prédios residenciais, o aquecimento está interrompido há semanas.
Para Maxim Timchenko, presidente-executivo da DTEK, maior empresa privada de energia do país, o cenário é alarmante. Ele afirmou recentemente que o país está à beira de uma catástrofe humanitária, com milhões de pessoas expostas ao frio intenso sem acesso adequado a serviços básicos.
A capital, Kiev, também sofreu impactos severos. Cerca de 600 mil pessoas deixaram a cidade ao longo de janeiro após sucessivas ofensivas contra a infraestrutura energética. O secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, alertou que a Ucrânia enfrenta seu inverno mais rigoroso em mais de uma década, destacando que os ataques atingem diretamente civis ao comprometerem luz, água e aquecimento.
Apoio internacional
Diante do agravamento da crise, aliados internacionais intensificaram o apoio ao país. O primeiro vice-primeiro-ministro ucraniano, Denys Shmyhal, informou que está em fase final a liberação de uma doação de 85 milhões de euros, via Banco Europeu de Reconstrução e Desenvolvimento, destinada à compra de gás natural.
A Comissão Europeia anunciou o envio de 447 geradores de emergência, avaliados em 4,3 milhões de dólares, para atender hospitais e serviços essenciais. A Espanha e a Dinamarca também confirmaram novos pacotes de ajuda voltados ao setor energético e ao reforço da defesa aérea ucraniana.
O Serviço de Segurança da Ucrânia classificou os ataques contínuos à infraestrutura energética como crimes contra a humanidade, por terem como alvo direto as condições de sobrevivência da população civil. O arcebispo maior da Igreja Greco-Católica Ucraniana, Sviatoslav Shevchuk, reforçou a denúncia ao afirmar que a estratégia russa busca deliberadamente deixar o país no escuro e no frio.
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