A Região Metropolitana do Rio de Janeiro registrou 329 mortes por arma de fogo no período de 28 de outubro do ano passado a 28 de janeiro deste ano. O número representa um aumento de 44% em comparação com o mesmo intervalo anterior, quando foram contabilizadas 228 vítimas fatais.
Os dados são do Instituto Fogo Cruzado, organização que monitora ocorrências de violência armada nos 22 municípios da região metropolitana. O levantamento também identificou 520 tiroteios nos três meses analisados.
Segundo o instituto, 200 desses confrontos ocorreram durante ações ou operações policiais. Nessas circunstâncias, foram registradas 210 mortes e 125 pessoas feridas. Parte expressiva dos óbitos aconteceu em 28 de outubro, durante uma megaoperação realizada pelo governo do Estado do Rio de Janeiro nos complexos da Penha e do Alemão, na zona norte da capital.
Na ocasião, cerca de 2.500 agentes participaram da ação contra integrantes da facção criminosa Comando Vermelho. Ao todo, 121 pessoas morreram, entre elas cinco policiais.
O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro informou à Agência Brasil que mantém investigações em andamento para apurar as circunstâncias da operação. De acordo com o órgão, o trabalho segue sob sigilo e já incluiu a oitiva de policiais envolvidos, familiares das vítimas e outras testemunhas.
Procuradas, a Secretaria de Estado de Segurança Pública e a Polícia Civil não se manifestaram até o fechamento desta reportagem.
Chacinas e operações policiais
O levantamento do Fogo Cruzado também aponta que, em média, a cada semana ocorre uma chacina na Região Metropolitana do Rio — caracterizada como situação em que três ou mais pessoas são mortas a tiros no mesmo episódio.
A média mensal é de quatro chacinas, sendo que ao menos três delas acontecem durante ações ou operações policiais, segundo o monitoramento. Os números reacendem o debate sobre o impacto das estratégias de enfrentamento armado no estado e a eficácia das políticas públicas de segurança.
Especialistas em segurança pública e direitos humanos defendem a necessidade de revisão das estratégias, com foco em inteligência, prevenção e redução da letalidade, diante do crescimento dos indicadores de violência.
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