O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou nesta quarta-feira (30) um decreto que oficializa a aplicação de tarifas de até 50% sobre produtos importados do Brasil. A medida amplia uma taxa já existente de 10% e adiciona outros 40 pontos percentuais, sob justificativa de “emergência econômica” e defesa dos interesses norte-americanos.
A decisão foi tomada com base na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA) e passa a valer em sete dias. Trump acusa o governo brasileiro de violar princípios democráticos, perseguir opositores e adotar práticas que prejudicam empresas e cidadãos dos Estados Unidos.
Segundo a Casa Branca, a nova política comercial visa responder a supostos abusos do Judiciário brasileiro, incluindo censura de redes sociais norte-americanas e processos contra aliados políticos de Trump, como o ex-presidente Jair Bolsonaro. O texto do decreto também menciona ameaças à liberdade de expressão e à soberania digital das empresas dos EUA.
Produtos brasileiros como café, carne bovina, aço e derivados agrícolas estão entre os mais afetados. No entanto, setores considerados estratégicos para os EUA — como aeronaves civis, alumínio, fertilizantes, celulose e suco de laranja — foram excluídos da nova taxação após pressão de empresas norte-americanas.
Em resposta, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou duramente a medida, afirmando que o Brasil “não aceitará intimidações nem interferências externas sobre as decisões de seu Judiciário”. O Itamaraty anunciou que estuda retaliações e poderá acionar a Organização Mundial do Comércio (OMC).
Economistas avaliam que a medida pode gerar impacto direto na balança comercial entre os dois países, elevar custos de exportação e pressionar setores estratégicos da economia brasileira. Em 2024, os EUA registraram superávit de US$ 6,8 bilhões na balança com o Brasil, o que reforça o caráter político da decisão.
Analistas internacionais apontam que o uso da IEEPA em contexto eleitoral e diplomático pode abrir precedentes perigosos, enquanto especialistas jurídicos americanos afirmam que a medida é passível de contestação nos tribunais.
A decisão marca um novo capítulo na crise diplomática entre os dois países e já provoca reações políticas e mobilizações nas redes sociais. Ativistas e opositores ao ex-presidente Bolsonaro ironizaram a situação com a hashtag #vampetaco, relembrando protestos cômicos do início dos anos 2000.
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