Ao disparar tiros contra agentes da Polícia Federal na porta de sua casa, na cidade de Comendador Levy Gasparian, no domingo (24), o ex-deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) conseguiu implodir 22 horas de live que o presidente Jair Bolsonaro (PL) promovia para desconstruir uma agenda negativa contra sua campanha à reeleição.
A transmissão de Bolsonaro contava com figuras notórias, como o jogador Neymar, que estará disputando a Copa do Catar pela seleção brasileira, além de integrantes do governo.
O que se buscava era conter o estrago provocado pelas declarações do ministro da Economia, Paulo Guedes, que confessou durante a semana que em um eventual 2º mandato de Bolsonaro, o salário mínimo e as aposentadorias não teriam reajuste, apenas correção inflacionária.
Tentava também atenuar o impacto das declarações envolvendo as “meninas da Venezuela”, com as quais Bolsonaro disse que “rolou um clima”.
Tudo transcorreria dentro do script traçado pela equipe de comunicação do Bolsonarismo, até que na tarde de domingo emerge a figura de Roberto Jefferson nas redes sociais noticiando que disparou tiros de fuzil contra agentes da Polícia Federal que chegaram à sua residência com novo mandado de prisão expedido pelo ministro do STF, Alexandre de Moraes.
Jefferson já estava em prisão domiciliar, com medidas restritivas, entre elas a proibição de propagar vídeos em redes sociais. Não apenas propagou um vídeo virulento e ofensivo contra a ministra da Corte, Cármen Lúcia, como reagiu à chegada da PF com tiros e jogando uma granada.
As perguntas que não calam: como um preso em regime domiciliar mantinha fuzil e granada dentro de casa? Quem permitiu ou quem levou esses armamentos? Isso pode?
O resultado imediato foi que a livre bolsonarista sumiu do mapa e Roberto Jefferson passou a comandar o espetáculo midiático, que contou até com a participação de padre Kelmon no papel de conciliador. Ainda que haja uma profusão de teorias da conspiração, Roberto Jefferson disparando tiros, porrada e bomba contra a Polícia Federal era tudo que o bolsonarismo não esperava nesse momento decisivo.
Tanto não precisava, que logo após a rendição do aliado, Bolsonaro tratou de gravar um vídeo para repudiar a iniciativa do ex-parlamentar e a qualificá-lo de “bandido”.
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