A popularização das rotinas de skincare nas redes sociais tem levado milhões de pessoas a testar cosméticos, tratamentos e procedimentos sem qualquer avaliação médica. Especialistas alertam que o uso indiscriminado desses produtos pode provocar alergias, irritações e até agravar problemas como acne, manchas e sensibilidade cutânea.
As orientações normalmente são divulgadas por influenciadores e criadores de conteúdo que apresentam sequências com diversos produtos, como sabonetes, séruns, ácidos, hidratantes e protetores solares. O problema ocorre quando essas recomendações são seguidas como se fossem adequadas para todos os tipos de pele.
Dermatologistas destacam que cada pessoa apresenta características e necessidades específicas. Um cosmético indicado para uma pele seca, por exemplo, pode aumentar a oleosidade e piorar a acne quando utilizado por alguém com outra condição dermatológica.
O alerta ganhou destaque durante as ações relacionadas ao Dia Mundial da Saúde da Pele, celebrado em 8 de julho. A mobilização busca ampliar o acesso à informação, estimular o diagnóstico precoce e chamar a atenção para as desigualdades no atendimento dermatológico.
Redes sociais superam consultórios
Um levantamento divulgado pela Sociedade Brasileira de Dermatologia revelou a forte influência do conteúdo digital sobre os cuidados pessoais. Entre os brasileiros de 17 a 24 anos, 68% afirmaram já ter experimentado algum produto ou procedimento para pele, cabelos ou unhas depois de vê-lo nas redes sociais.
Ao mesmo tempo, 70% dos integrantes dessa faixa etária declararam nunca ter consultado um dermatologista. Os dados mostram que grande parte dos jovens adota tratamentos por conta própria, muitas vezes sem conhecer as características da própria pele ou os possíveis efeitos da combinação de diferentes substâncias.
A internet também aparece como a principal fonte de informação para quem procura orientações sobre cuidados dermatológicos. Apenas 14% dos entrevistados recorrem diretamente a um dermatologista, enquanto 41% buscam informações em redes sociais, no YouTube ou em mecanismos de pesquisa como o Google.
Especialistas ponderam que o acesso à informação pode contribuir para a prevenção, mas ressaltam que vídeos curtos e publicações patrocinadas não substituem uma consulta. Além disso, nem sempre o público consegue distinguir uma orientação profissional de uma propaganda comercial.
O excesso de etapas também preocupa. Rotinas que reúnem vários ácidos, séruns e cosméticos podem comprometer a proteção natural da pele, principalmente quando os produtos são aplicados em concentrações inadequadas ou combinados sem orientação.
Acesso ao dermatologista ainda é desigual
A pesquisa também aponta diferenças importantes no acesso aos serviços especializados. A proporção de brasileiros que já passaram por uma consulta dermatológica é maior entre as classes A e B do que entre as classes C, D e E.
No recorte por cor ou raça, 58% das pessoas brancas disseram já ter consultado um dermatologista. Entre pessoas negras, o percentual cai para 41%, uma diferença de 17 pontos percentuais. Os dados evidenciam que os cuidados especializados ainda não chegam da mesma maneira a toda a população.
Para os médicos, o skincare não deve ser tratado como um problema em si. A preocupação está na utilização indiscriminada de produtos, especialmente quando há sintomas como acne persistente, manchas, coceira, vermelhidão, ardência ou descamação.
A recomendação é interromper o uso de qualquer produto que provoque reação e procurar atendimento profissional. A avaliação dermatológica permite identificar o tipo de pele, diagnosticar possíveis doenças e estabelecer uma rotina mais simples, segura e adequada às necessidades de cada paciente.
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