A Polícia Civil do Rio de Janeiro deflagrou nesta quarta-feira (8) a Operação Acerto de Contas para combater uma quadrilha suspeita de aplicar golpes contra servidores ativos e aposentados do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ).
A ação foi realizada pela Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI), que cumpriu quatro mandados de busca e apreensão no estado de São Paulo. Durante a operação, três pessoas foram conduzidas para prestar esclarecimentos às autoridades.
Segundo as investigações, o grupo utilizava ligações telefônicas, aplicativos de mensagens e e-mails para entrar em contato com as vítimas. Os criminosos se passavam por advogados, servidores públicos ou representantes de órgãos oficiais para informar falsamente que os funcionários teriam direito a receber valores relacionados a processos judiciais, gratificações ou outros benefícios financeiros.
Para aumentar a credibilidade do golpe, os suspeitos utilizavam nomes de profissionais reais e empregavam uma linguagem semelhante à usada em documentos e procedimentos administrativos, criando a impressão de que a comunicação era legítima.
Após convencerem as vítimas, os criminosos solicitavam pagamentos antecipados, geralmente realizados por meio de transferências via Pix. Os valores eram apresentados como supostas taxas, impostos ou despesas necessárias para liberar os recursos prometidos.
Durante o trabalho de investigação, a Polícia Civil identificou números de telefone, contas bancárias e endereços de e-mail que seriam utilizados pelo grupo para manter contato com as vítimas e movimentar os valores obtidos com as fraudes.
Golpes digitais têm aumentado
A prática de fraudes envolvendo falsos advogados e falsas cobranças tem registrado crescimento nos últimos anos. A Ordem dos Advogados do Brasil no Rio de Janeiro (OAB-RJ) informou que recebeu 1.976 denúncias relacionadas a esse tipo de golpe entre janeiro de 2025 e 9 de junho deste ano.
Segundo a presidente da entidade, Ana Tereza Basilio, os criminosos têm adotado estratégias cada vez mais elaboradas, incluindo o uso de ferramentas de inteligência artificial para criar abordagens mais convincentes.
A recomendação das autoridades é que servidores e cidadãos não realizem pagamentos antecipados para receber supostos benefícios ou valores judiciais sem antes confirmar a informação diretamente com advogados, instituições oficiais ou órgãos responsáveis.
A Polícia Civil segue analisando o material apreendido durante a operação para identificar outros possíveis integrantes da organização criminosa e verificar a extensão dos prejuízos causados às vítimas.
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