A investigação sobre possíveis eventos adversos relacionados à vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan concentra atenção em três casos considerados graves registrados entre profissionais da saúde, grupo que participou da aplicação inicial do imunizante.
Dois desses pacientes morreram, enquanto um terceiro conseguiu se recuperar após internação em unidade de terapia intensiva.
De acordo com informações divulgadas pelo Ministério da Saúde, cerca de 500 mil doses da vacina já foram aplicadas. Desse total, 417 foram destinadas a trabalhadores da área da saúde, incluindo médicos, enfermeiros, agentes comunitários e integrantes das equipes da Estratégia Saúde da Família.
A inclusão desse público ocorreu devido à exposição frequente ao atendimento direto da população.
Até o momento, foram notificadas 42 ocorrências de reações adversas graves que podem ter relação com a vacinação. Entre elas, três casos exigiram hospitalização e passaram a ser analisados de forma mais detalhada pelas autoridades sanitárias.
Uma das pacientes afetadas foi uma mulher de 39 anos que apresentou febre, dores pelo corpo e náuseas durante vários dias após receber a dose.
O quadro evoluiu para sintomas semelhantes aos observados em formas graves da dengue, levando à necessidade de tratamento intensivo após um episódio de choque refratário. Após atendimento especializado, ela recebeu alta médica.
Outro caso envolveu uma mulher de 48 anos que começou a apresentar manifestações compatíveis com dengue grave cerca de 19 dias após a imunização. Além disso, desenvolveu complicações neurológicas e recebeu diagnóstico de meningoencefalite. A paciente não resistiu às complicações.
O terceiro episódio investigado refere-se a um homem de 58 anos que desenvolveu febre cinco dias depois de ser vacinado. Segundo os relatos, a condição se agravou rapidamente, apresentando sinais semelhantes aos de dengue grave. Após sofrer choque refratário, ele morreu.
As autoridades de saúde ressaltam que os casos ainda estão em fase de investigação e que não há confirmação de vínculo causal entre a vacina e os eventos registrados. O objetivo das análises é determinar se os quadros clínicos observados têm relação direta com a imunização ou se foram provocados por outros fatores.
Enquanto as apurações prosseguem, o Ministério da Saúde orienta pessoas vacinadas a observarem possíveis sintomas como febre persistente, náuseas, tontura, dores abdominais, sangramentos, sonolência excessiva, sinais de desidratação e irritabilidade. Em caso de manifestação desses sintomas, a recomendação é procurar atendimento médico imediatamente.
Também é aconselhado que indivíduos imunizados recentemente, especialmente aqueles que receberam a vacina há menos de 21 dias, mantenham acompanhamento atento de seu estado de saúde para permitir a identificação precoce de qualquer alteração clínica relevante.
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