A morte do Papa Francisco, aos 88 anos, ecoou além das fronteiras do Vaticano, mobilizando fiéis de Budapeste a Buenos Aires em homenagens que refletem seu legado único. A psicóloga Karoline Barbosa, em participação no Direto da Redação, destacou o pontífice como uma “ponte entre a tradição católica e as mudanças do século XXI”, atualizando discursos sem romper com a fé. “Ele deu sentido de pertencimento aos excluídos”, afirmou.
Na Hungria, a Basílica de Santo Estevão, em Budapeste, lotou durante a missa memorial. Fiéis como uma senhora local expressaram esperança: “Que o próximo Papa tenha a mesma espiritualidade acolhedora”.
Em Barcelona, a Igreja de Santa Ana celebrou Francisco com música e lembrou seu ideal de uma Igreja “hospital de campanha”, abrindo as portas diariamente para pessoas em situação de rua.
Argentina chora pelo “Papa de todos”
Em Buenos Aires, onde Francisco serviu como arcebispo, velas, flores e mensagens se acumulam na Catedral Metropolitana.
Dom Jorge Inácio Garcia Cuerva, atual arcebispo, ressaltou: “Ele não veio, mas sempre esteve aqui”. Missas lotadas reforçaram o vínculo com um líder que defendia “os mais pobres”, mesmo sem retornar ao país natal durante o pontificado.
Sucessão: Amazônia, geopolítica e o futuro da reforma
A escolha do próximo Papa carrega o peso de continuar (ou não) as bandeiras de Francisco. Para a socióloga Tabata Tesser, os 80% de cardeais nomeados por ele sugerem que seu projeto “reformista, humanista, mas tradicional” pode perdurar.
Já Leonardo Boff, teólogo da Libertação, aponta dois nomes: o cardeal amazônico Dom Leonardo Steiner, defensor dos indígenas, e o italiano Pierbattista Pizzaballa, de Jerusalém, cotado em apostas.
Desafios do novo líder
- Geopolítica: Posicionar-se sobre guerras (como Israel e Palestina) e o papel dos EUA.
- Ambiente: Dar continuidade à defesa da Amazônia como “casa comum”.
- Inclusão: Ampliar a participação feminina, como destacou a teóloga Brenda Carranza, lembrando que Francisco incluiu mulheres em cargos-chave do Banco do Vaticano.
Além da ecologia, Francisco combateu o negacionismo, o discurso de ódio da ultradireita e a segregação de imigrantes. “Sua revolução foi silenciosa: abriu portas sem alardes, mas com gestos”, concluiu Carranza.
Enquanto o mundo aguarda o conclave, uma certeza persiste: Francisco redefiniu o papado como espaço de luta pela “libertação das consciências” — e esse é um desafio que seu sucessor não poderá ignorar.
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