A possibilidade de oferecer gratuitamente a vacina contra o herpes-zóster pelo Sistema Único de Saúde avançou no Senado. A Comissão de Assuntos Sociais (CAS) aprovou por unanimidade o projeto que prevê a inclusão do imunizante no calendário nacional de vacinação.
O texto em discussão é o Projeto de Lei 4.426/2025, apresentado pela senadora Dra. Eudócia. Na versão original, a proposta previa a vacinação para idosos com mais de 60 anos. Durante a análise no Senado, porém, o público foi ampliado. O substitutivo aprovado prevê a imunização de pessoas com mais de 50 anos e também de adultos com mais de 18 anos que tenham imunossupressão ou outra condição clínica capaz de comprometer o sistema imunológico.
A mudança de faixa etária foi apresentada pela senadora Mara Gabrilli durante a passagem do projeto pela Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa. Na CAS, a relatora Damares Alves manteve o texto aprovado anteriormente.
Apesar do avanço, a vacina ainda não foi incluída automaticamente no calendário do SUS. A situação oficial do projeto, consultada no Senado, indica que a matéria permanece em tramitação e aguarda a conclusão do turno suplementar na Comissão de Assuntos Sociais. Depois dessa etapa, o projeto poderá seguir para a Câmara dos Deputados, observadas as regras de tramitação no Senado.
Essa ressalva é importante porque informações divulgadas logo após a votação apontaram que o texto seguiria diretamente para a Câmara caso não houvesse recurso para análise pelo Plenário. A página oficial de tramitação, porém, registra atualmente a necessidade de apreciação do substitutivo em turno suplementar.
O que é o herpes-zóster
Conhecido popularmente como cobreiro, o herpes-zóster é provocado pelo vírus varicela-zóster, o mesmo responsável pela catapora. Depois da primeira infecção, o vírus pode permanecer inativo no organismo por muitos anos e voltar a se manifestar quando há queda das defesas do corpo.
A doença costuma provocar lesões e bolhas na pele, geralmente acompanhadas de dor, queimação, coceira ou formigamento. Febre, dor de cabeça e mal-estar também podem aparecer. Pessoas mais velhas e aquelas com o sistema imunológico comprometido estão entre os grupos com maior risco de desenvolver formas mais graves e complicações. (
Uma das complicações mais conhecidas é a neuralgia pós-herpética, quadro em que a dor pode permanecer mesmo depois do desaparecimento das lesões. É justamente o risco de problemas prolongados que aumenta a preocupação com a doença entre pessoas de maior idade e pacientes vulneráveis.
Vacina ainda não faz parte do calendário nacional
Atualmente, a vacina específica contra herpes-zóster não consta entre os imunizantes de rotina apresentados pelo Ministério da Saúde no Calendário Nacional de Vacinação para adultos. O calendário oficial de 2026 foi atualizado em julho.
O tema já passou também por avaliação técnica dentro do Ministério da Saúde. Em janeiro de 2026, uma decisão da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde determinou a não incorporação da vacina recombinante contra herpes-zóster ao SUS para pessoas com 80 anos ou mais e indivíduos imunocomprometidos com 18 anos ou mais, dentro daquela análise específica.
Na avaliação conduzida pela Conitec, o impacto financeiro foi um dos principais pontos considerados. A comissão reconheceu a relevância da vacinação, mas apontou dificuldades relacionadas ao custo e ao impacto orçamentário da oferta pelo sistema público.
A discussão legislativa agora segue por outro caminho: o projeto aprovado na CAS busca estabelecer em lei a presença da vacina no calendário nacional, com público mais amplo que o analisado naquele processo da Conitec.
Eficácia é apontada em estudos
Dados analisados pela Conitec mostram elevada proteção da vacina recombinante contra o herpes-zóster. Em acompanhamento prolongado dos estudos clínicos, a eficácia acumulada permaneceu próxima de 89% ao longo de uma média de 9,6 anos após a vacinação.
Durante a análise do projeto no Senado, parlamentares também argumentaram que ampliar o acesso ao imunizante pode evitar casos graves, reduzir sequelas dolorosas e diminuir a necessidade de tratamentos e hospitalizações.
A relatora na CAS, Damares Alves, relatou durante a reunião que já teve herpes-zóster e sofreu complicações da doença. Para os defensores da proposta, o envelhecimento da população brasileira reforça a necessidade de ampliar as estratégias de prevenção.
O que acontece agora
O projeto ainda não significa que a vacina já esteja disponível gratuitamente nos postos de saúde. Conforme o registro oficial atualizado do Senado, o substitutivo aprovado pela CAS aguarda apreciação em turno suplementar. Depois de concluída a análise no Senado, a proposta ainda terá de passar pela Câmara dos Deputados e, caso seja aprovada sem mudanças que exijam nova avaliação, seguirá para sanção presidencial.
Até que todas essas etapas sejam concluídas e a eventual inclusão seja regulamentada, continuam valendo as regras atuais do Programa Nacional de Imunizações.
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