Pela primeira vez no Brasil, a guarda compartilhada dos filhos tornou-se a forma mais adotada nos divórcios entre casais com crianças menores de idade. Os dados fazem parte da pesquisa “Estatísticas do Registro Civil”, divulgada nesta quarta-feira (10) pelo IBGE, e mostram uma mudança significativa no modelo familiar brasileiro.
A guarda compartilhada prevê que pai e mãe dividam de forma equilibrada as responsabilidades e o tempo de convivência com os filhos, em contraste com a guarda exclusiva da mãe, que historicamente predominou.
Em 2014, 85% das decisões judiciais determinavam guarda exclusiva da mãe, enquanto apenas 7,5% eram de guarda compartilhada. Dez anos depois, o cenário se inverteu. Segundo Klívia Brayner, gerente da pesquisa do IBGE, o crescimento foi expressivo:
“Após dez anos da lei que coloca que a guarda compartilhada deve ser priorizada, em 2024 ela teve um percentual de quase 45%, e esse percentual foi superior à guarda exclusiva da mulher”, explicou.
Em 2024, as sentenças que determinaram guarda exclusiva da mãe representaram 42,6% dos divórcios com filhos menores, ficando, pela primeira vez, atrás da modalidade compartilhada.
Casamentos duram menos
O estudo também analisou a duração dos casamentos de 2004 a 2024. Segundo Klívia Brayner, houve um encurtamento perceptível no tempo médio das uniões.
“A gente observou uma diminuição do tempo de duração dos casamentos. Os casamentos com menos de dez anos já representam 47% dos divórcios coletados”, afirmou.
Em 2004, casamentos com menos de 10 anos eram 43,6% do total. A duração média das uniões, que era de 17,1 anos naquele ano, caiu para 13,8 anos em 2024.
Perfil dos divorciados e queda inédita nos divórcios
Entre casais de sexos diferentes, a idade média dos homens que se divorciaram em 2024 foi de 44,5 anos, enquanto a das mulheres foi de 41,6 anos.
A pesquisa também aponta um comportamento inédito desde 2020: o número total de divórcios caiu. Foram mais de 428 mil registros em 2024, o que representa uma redução de 2,8% em relação a 2023.
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