Mesmo com a redução no número total de tiroteios, a violência praticada durante assaltos avançou na Região Metropolitana do Rio de Janeiro no primeiro semestre de 2026. Dados divulgados pelo Instituto Fogo Cruzado mostram que 147 pessoas foram baleadas em roubos ou tentativas de roubo entre janeiro e junho, crescimento de 40% na comparação com o mesmo período de 2025. O resultado representa o maior patamar registrado nos últimos quatro anos.
O levantamento identificou 162 ocorrências com disparos de arma de fogo relacionadas a assaltos ou tentativas de assalto. O número é 43% superior ao registrado nos primeiros seis meses do ano passado e revela uma mudança preocupante no perfil da violência armada: apesar de menos confrontos no conjunto geral, determinados episódios estão deixando mais vítimas.
No total, o Instituto Fogo Cruzado mapeou 976 tiroteios no Grande Rio durante o primeiro semestre deste ano. No mesmo intervalo de 2025, haviam sido registradas 1.221 ocorrências, o que representa uma redução aproximada de 20%.
A queda dos tiroteios, entretanto, não foi acompanhada por uma redução proporcional das mortes. Entre janeiro e junho de 2026, 805 pessoas foram baleadas na Região Metropolitana: 434 morreram e 371 ficaram feridas. No primeiro semestre de 2025, foram contabilizadas 828 vítimas, sendo 416 mortos e 412 feridos.
Os números mostram que, embora o total de atingidos tenha apresentado pequena redução, a quantidade de mortes cresceu. Para o Instituto Fogo Cruzado, o cenário demonstra que menos episódios com disparos estão produzindo consequências mais letais para a população.
A violência também deixa marcas emocionais duradouras. Rosângela Galdino Lopes, auxiliar de serviços gerais, relatou à TV Brasil que já foi assaltada duas vezes e presenciou pessoas sendo atingidas por tiros, incluindo uma amiga. Depois das experiências, ela passou a sentir medo e nervosismo quando desconhecidos se aproximavam.
Participação policial cresce
As ações e operações policiais corresponderam a 47% dos tiroteios registrados no Grande Rio no primeiro semestre. Foram 457 ocorrências envolvendo forças de segurança, a maior proporção para o período desde o início da série, em 2017.
Ao todo, 401 pessoas foram baleadas durante ações policiais, o equivalente à metade das vítimas contabilizadas no semestre. O levantamento também registrou 58 agentes de segurança atingidos por disparos: 25 morreram e 33 ficaram feridos.
Disputas entre grupos armados deixam mais vítimas
Outro dado considerado preocupante envolve os conflitos entre facções criminosas e milícias. Embora o número de tiroteios provocados por disputas entre grupos armados tenha caído de 160 para 104, a quantidade de pessoas baleadas nessas situações aumentou 78%.
Foram 144 vítimas no primeiro semestre de 2026, contra 81 no mesmo período do ano anterior. Trata-se do maior número registrado pelo instituto nessa categoria desde 2017.
Capital concentra maioria das ocorrências
A cidade do Rio de Janeiro reuniu 629 dos 976 tiroteios mapeados, correspondendo a 64% das ocorrências do Grande Rio. A capital registrou 256 mortos e 226 feridos.
São Gonçalo apareceu em seguida, com 103 tiroteios, 43 mortos e 51 feridos. Duque de Caxias contabilizou 52 ocorrências; Niterói, 49; e Nova Iguaçu, 27.
Entre as regiões da capital, a Zona Norte concentrou a maior quantidade de episódios, com 350 tiroteios. A Maré liderou o ranking de bairros mais afetados, com 29 ocorrências, enquanto a Taquara registrou o maior número de vítimas: 17 mortos e 12 feridos.
Balas perdidas e chacinas
O levantamento contabilizou 52 vítimas de balas perdidas no Grande Rio durante o semestre. Treze pessoas morreram e 39 ficaram feridas. Entre os casos, 20 ocorreram durante disputas entre grupos armados e 16 foram registrados em ações policiais.
Também foram identificadas 24 chacinas, que deixaram 89 mortos. Quinze desses episódios aconteceram durante ações ou operações policiais e resultaram em 58 mortes.
O relatório reforça o desafio enfrentado pelas autoridades para reduzir não apenas a quantidade de confrontos, mas principalmente a letalidade da violência armada e a exposição da população aos disparos em vias públicas, veículos, residências e estabelecimentos comerciais.
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