O Ministério da Saúde lançou, no Rio de Janeiro, o Padi Brasil, Programa de Atenção Domiciliar à Pessoa Idosa, iniciativa criada para ampliar o atendimento em casa a idosos acompanhados pela Atenção Primária à Saúde. O programa será voltado principalmente a pessoas com limitações de locomoção, doenças crônicas, fragilidade clínica ou situação de maior vulnerabilidade social.
A proposta é levar equipes multiprofissionais às residências dos pacientes, reduzindo barreiras de acesso aos serviços de saúde e fortalecendo o cuidado continuado dentro do Sistema Único de Saúde. O investimento federal previsto é de cerca de R$ 500 milhões até 2027.
Segundo o Ministério da Saúde, os recursos serão usados para estruturar e ampliar a atuação das Equipes Multiprofissionais, conhecidas como eMulti, em articulação com as equipes de Saúde da Família. A previsão é de R$ 163,2 milhões em 2026 e R$ 329,3 milhões em 2027.
O atendimento será destinado a idosos que não conseguem se deslocar com facilidade até uma unidade de saúde ou que necessitam de acompanhamento mais próximo por causa de condições como hipertensão, diabetes, problemas de saúde mental, sequelas de AVC, limitações funcionais, fragilidade associada ao envelhecimento ou outras doenças crônicas.
Entre as ações previstas estão avaliação global da pessoa idosa, elaboração de plano de cuidados individualizado, execução e monitoramento das condutas definidas pelas equipes, além de orientação a familiares e cuidadores. O programa também prevê apoio a quem cuida do idoso no dia a dia, reconhecendo a sobrecarga física e emocional enfrentada por filhos, netos, cônjuges e cuidadores contratados.
As equipes poderão contar com profissionais de diferentes áreas, como médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, psicólogos, nutricionistas, terapeutas ocupacionais, cardiologistas, geriatras e outros especialistas, conforme a organização da rede municipal de saúde.
Durante o lançamento, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que o programa representa um avanço no papel do SUS no cuidado com a população idosa. Ele destacou que a atenção primária já é um dos principais pontos de acolhimento de pessoas com mais de 60 anos, especialmente para acompanhamento de doenças crônicas.
O envelhecimento da população brasileira é um dos fatores que motivam a reorganização dos serviços de saúde. Historicamente, as unidades básicas foram estruturadas com grande foco em vacinação, acompanhamento de gestantes, nascimento de bebês e redução da mortalidade infantil. Com o aumento da expectativa de vida, a demanda por cuidado geriátrico, reabilitação, acompanhamento domiciliar e suporte aos cuidadores passou a ganhar mais peso nas políticas públicas.
O Padi Brasil também busca evitar deslocamentos desnecessários de idosos frágeis até unidades de saúde, reduzir riscos de agravamento de doenças e oferecer assistência mais humanizada no ambiente familiar. A lógica do programa é aproximar o cuidado do local onde a pessoa vive, respeitando sua rotina, sua história e suas necessidades.
Casos de idosos acamados, pessoas com Alzheimer, pacientes em tratamento contra câncer, vítimas de AVC e famílias que assumem sozinhas o cuidado diário mostram a importância de políticas públicas voltadas ao atendimento domiciliar. Em muitas situações, a família precisa lidar com alimentação, medicação, higiene, mobilidade, prevenção de quedas e acompanhamento emocional sem orientação técnica suficiente.
Além do cuidado clínico, especialistas apontam que o atendimento domiciliar pode ajudar a combater o isolamento, o abandono e o etarismo. A idade avançada, por si só, não deve ser tratada como doença. O idoso precisa ser ouvido, incluído nas conversas e respeitado como sujeito de direitos, com trajetória, autonomia e experiência de vida.
De acordo com o Ministério da Saúde, mais de 2,7 mil municípios já solicitaram adesão ao programa. A meta é expandir a iniciativa gradualmente, com alcance em capitais de diferentes regiões do país e ampliação das equipes conforme a capacidade de organização das redes locais.
O lançamento do Padi Brasil ocorre em um momento em que o país discute novas formas de cuidado para uma população cada vez mais longeva. A medida reforça a necessidade de adaptar o SUS ao novo perfil demográfico brasileiro, com mais atenção à pessoa idosa, às famílias cuidadoras e à assistência contínua dentro do território.
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