Uma mulher de 40 anos foi morta a facadas dentro de um supermercado na zona norte de São Paulo, em mais um caso de violência contra a mulher registrado na capital paulista. A vítima, identificada como Angelita Manoela Rodrigues, chegou a ser socorrida, mas não resistiu aos ferimentos.
O ataque aconteceu na tarde de domingo, 16 de agosto, em um estabelecimento localizado na região da Praça Santa Clara de Assis, no bairro Morro Grande. Segundo informações da polícia, Angelita estava na fila do açougue quando foi surpreendida pelo agressor e atingida por diversos golpes de faca.
Câmeras do circuito interno de segurança registraram a ação. As imagens mostram a movimentação de clientes no momento do ataque e a correria provocada dentro do supermercado. Algumas pessoas chegaram a tentar conter o homem, que deixou o estabelecimento depois do crime.
Socorro à vítima
A Polícia Militar foi acionada e encontrou Angelita gravemente ferida. Equipes de atendimento realizaram procedimentos de reanimação antes de encaminhá-la ao Hospital Municipal da Brasilândia. Apesar das tentativas de salvá-la, a vítima morreu em decorrência dos ferimentos.
O suspeito, identificado como Lafayete Gonzaga da Silva, também de 40 anos, foi localizado pouco depois. Ele foi encaminhado à 4ª Delegacia de Defesa da Mulher, onde a ocorrência foi registrada.
A investigação ficou sob responsabilidade do 72º Distrito Policial, na Vila Penteado. Na segunda-feira (17), após audiência de custódia, a prisão do investigado foi convertida em preventiva. Ele permanece à disposição da Justiça enquanto avançam as investigações.
Outro ponto considerado pela investigação aumentou a gravidade do caso. De acordo com informações da Secretaria da Segurança Pública de São Paulo, antes de atacar Angelita no supermercado, o homem também teria esfaqueado o cachorro da vítima.
Por causa das circunstâncias apuradas, a ocorrência foi registrada como feminicídio, violência doméstica e prática de abuso contra animais.
Relatos indicam histórico de violência
Pessoas próximas à vítima relataram que o relacionamento era marcado por conflitos, ameaças e episódios de violência. Uma amiga de Angelita afirmou que ela já havia aparecido no trabalho com marcas de agressões e que pessoas próximas tentaram ajudá-la a deixar a relação.
A advogada que acompanha o caso também relatou que Angelita havia tentado se afastar do relacionamento anteriormente, mas enfrentava dificuldades para romper definitivamente o vínculo.
Essas informações deverão ser consideradas pela investigação para reconstruir o histórico de violência e esclarecer as circunstâncias que antecederam o feminicídio.
A defesa do investigado declarou à imprensa que repudia qualquer forma de violência contra a mulher, manifestou pesar pela morte de Angelita e afirmou que os esclarecimentos serão apresentados à Justiça.
Feminicídio continua como desafio nacional
O assassinato de Angelita ocorre em meio à preocupação permanente com a violência letal contra mulheres no Brasil.
Dados do Monitoramento Nacional da Violência contra a Mulher, divulgado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública e pelo Ministério das Mulheres, apontam que 741 feminicídios foram registrados no país entre janeiro e junho de 2026. No mesmo período de 2025 haviam sido contabilizados 760 casos.
A comparação representa uma redução nacional de 2,5% no primeiro semestre deste ano. Apesar da queda, o número significa que, em média, mais de quatro mulheres foram vítimas de feminicídio por dia no país durante os primeiros seis meses de 2026.
O caso ocorrido dentro de um supermercado, diante de outras pessoas e em plena luz do dia, reforça a dimensão do desafio enfrentado pelas políticas públicas de prevenção à violência doméstica, acolhimento das vítimas e responsabilização dos agressores.
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