As vítimas foram Allane de Souza Pedrotti Matos, coordenadora acadêmica da direção de ensino e doutora em letras graduada no exterior, e Layse Costa Pinheiro, psicóloga da instituição. Ambas foram alvo de ataque armado realizado por João Antônio Miranda Tello Ramos, servidor da mesma instituição que posteriormente tirou própria vida dentro das dependências do CEFET-RJ.
Trajetoria de violência do suspeito
Investigações revelam que João Antônio havia sido afastado de suas funções em momento anterior, indicando histórico de comportamentos problemáticos documentados pela instituição. Apesar do afastamento, o servidor retornou ao CEFET-RJ, circunstância que possibilitou execução do duplo feminicídio.
Essa situação exemplifica falha grave em mecanismos de proteção institucional, expondo lacunas nas políticas de segurança e proteção da comunidade acadêmica contra indivíduos com histórico de comportamento violento ou ameaçador.
Circunstâncias do crime
Ambas as vítimas foram socorridas após receber disparos, sendo encaminhadas ao Hospital Municipal Souza Aguiar. Contudo, os ferimentos revelaram-se fatais, e as duas faleceram durante atendimento hospitalar. O atacante, após perpetrar duplo feminicídio, finalizou suas ações com suicídio consumado dentro do campus.
A brutalidade do ato e contexto de abuso de confiança — perpetrado por colega que compartilhava espaço profissional — configuram feminicídio qualificado pela violência de gênero e pela relação de proximidade explorada para execução do crime.
O CEFET-RJ respondeu ao ocorrido com decretação de luto oficial de cinco dias. Todas as atividades acadêmicas do campus Maracanã foram suspensas até 5 de dezembro de 2025, permanecendo apenas atividades administrativas em regime remoto. Essa medida reflete reconhecimento institucional da gravidade do trauma coletivo experimentado.
Entidades educacionais de representação — ANDES-SN (Associação Nacional dos Docentes do Ensino Superior), SEPE-RJ (Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação do Rio de Janeiro) e SINDJUD-PE (Sindicato dos Juízes do Estado de Pernambuco) — manifestaram solidariedade às famílias das vítimas e repúdio veemente ao ato de violência, enfatizando necessidade de combate ao machismo estrutural.
Investigação em andamento
A Delegacia de Homicídios da Capital conduz investigação destinada a esclarecer motivações precisas que conduziram ao duplo feminicídio. A inquirição perscruta tanto dinâmica do relacionamento entre suspeito e vítimas quanto contexto institucional que permitiu retorno do afastado servidor.
O caso revela vulnerabilidade particular enfrentada por mulheres em ambientes de trabalho, onde proximidade cotidiana com indivíduos potencialmente violentos configura risco permanente. A instituição federal, apesar de sua relevância educacional, não ofereceu proteção suficiente contra ameaça que já havia sido identificada através do afastamento anterior do suspeito.
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