O crescimento do uso de motocicletas no Rio de Janeiro acendeu um novo alerta para autoridades, especialistas em mobilidade urbana e profissionais da saúde. Dados divulgados pela Semove, em contexto de estudos sobre transporte e segurança viária, apontam que motocicletas estão presentes em 77% das ocorrências de trânsito registradas na capital fluminense. Na prática, isso representa um acidente envolvendo moto a cada 25 minutos.
O levantamento reforça uma mudança visível nas ruas: cada vez mais pessoas recorrem às motos para fugir de engarrafamentos, reduzir custos e tentar chegar mais rápido ao destino. A expansão dos serviços por aplicativo também ampliou a presença desse tipo de transporte no dia a dia dos cariocas.
Para muitos passageiros, a moto se tornou uma alternativa diante de ônibus lotados, atrasos, longos tempos de espera e dificuldades de deslocamento em áreas onde o transporte público não atende com regularidade. O problema é que essa escolha, embora mais rápida e barata, também aumenta a exposição ao risco.
A pesquisa da Coppe/UFRJ analisou a migração de usuários do transporte coletivo para motos por aplicativo e apontou que a decisão está ligada, entre outros fatores, à baixa competitividade do ônibus, à demora nas viagens e à percepção de insegurança e ineficiência no transporte público.
Nas ruas, o cenário preocupa. Motociclistas trafegam entre carros, circulam em corredores estreitos, enfrentam pontos cegos de veículos maiores e ficam mais vulneráveis em colisões. Ao mesmo tempo, também há registros frequentes de infrações cometidas por parte dos condutores, como excesso de velocidade, tráfego pela contramão, uso de calçadas e desrespeito à sinalização.
Especialistas em mobilidade defendem que o problema não pode ser tratado apenas como uma questão individual de comportamento. A avaliação é que a explosão no uso de motos também revela falhas estruturais no sistema de transporte urbano.
Para a Semove, entidade que representa empresas de ônibus no estado, a perda de atratividade do transporte coletivo tem relação direta com a falta de prioridade nas vias, congestionamentos, ausência de infraestrutura adequada nos pontos de parada, insegurança e falta de regularidade nos horários. A entidade defende investimentos em faixas preferenciais, informação ao passageiro, qualificação dos abrigos e melhoria da velocidade operacional dos ônibus.
A situação também pressiona a rede de saúde. Segundo dados citados pela Semove, a média é de 80 feridos por dia em acidentes com motos, o que transforma o tema em um problema de saúde pública.
O Maio Amarelo, campanha nacional de conscientização para redução de mortes e feridos no trânsito, chama atenção justamente para a necessidade de rever comportamentos, reforçar a fiscalização e cobrar políticas públicas capazes de tornar a mobilidade mais segura.
Pelo Código de Trânsito Brasileiro, veículos maiores devem zelar pela segurança dos menores. Na prática, porém, a convivência entre ônibus, carros, caminhões, motos, bicicletas e pedestres ainda é marcada por disputa de espaço, imprudência e baixa proteção aos usuários mais vulneráveis.
O desafio, segundo especialistas, é equilibrar a necessidade de deslocamento rápido com segurança viária. Sem transporte público eficiente, fiscalização adequada e educação no trânsito, o aumento da frota de motos tende a ampliar o número de vítimas nas ruas do Rio.
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