Uma operação conjunta da Polícia Civil e do Ministério Público do Rio de Janeiro foi deflagrada nesta quarta-feira (28) para desarticular um esquema criminoso suspeito de controlar a venda de gás de cozinha em comunidades fluminenses.
Batizada de Operação Dominus, a ação tem como alvo investigados apontados como integrantes de uma estrutura ligada ao Comando Vermelho (CV).
Até o início da manhã, quatro pessoas haviam sido presas. As equipes também cumprem mandados de busca e apreensão para reunir provas sobre o funcionamento do esquema.
Além das medidas policiais, as autoridades solicitaram à Justiça o bloqueio de mais de R$ 350 milhões em ativos financeiros e o sequestro de bens relacionados aos investigados.
Segundo a investigação, a organização utilizava ameaças e o domínio territorial do tráfico para impor fornecedores de gás aos comerciantes e cobrar valores ilegais daqueles que desejavam continuar trabalhando.
Facção teria imposto regras para a venda de gás
De acordo com a Polícia Civil, os suspeitos aproveitavam o controle exercido pelo tráfico em determinadas comunidades para interferir diretamente na comercialização de botijões de gás.
Os comerciantes não podiam escolher livremente de quais empresas comprariam o produto.
A investigação aponta que os estabelecimentos eram obrigados a adquirir gás de fornecedores supostamente ligados à organização criminosa.
Quem se recusasse a seguir as regras poderia sofrer ameaças e outras formas de intimidação.
O esquema, segundo os investigadores, restringia a concorrência e permitia que o grupo criminoso controlasse parte de uma atividade comercial essencial para os moradores.
Entenda o que era a “meta do gás”
Uma das práticas investigadas recebeu o nome de “meta do gás”.
Segundo a polícia, a expressão era utilizada para identificar cobranças periódicas impostas aos comerciantes que trabalhavam em áreas sob influência da facção.
O pagamento seria exigido como condição para a continuidade das atividades comerciais.
A investigação identificou duas formas principais de arrecadação: a imposição de fornecedores ligados ao grupo e a cobrança direta de valores dos estabelecimentos.
Para as autoridades, essas práticas apresentam indícios de extorsão e demonstram como o domínio territorial do tráfico teria sido utilizado para obter vantagens econômicas.
O dinheiro arrecadado também poderia contribuir para financiar a estrutura da organização criminosa.
Justiça recebe pedido de bloqueio de R$ 350 milhões
A Operação Dominus busca atingir não apenas os suspeitos, mas também os recursos financeiros associados às atividades investigadas.
As autoridades solicitaram o bloqueio de mais de R$ 350 milhões em ativos financeiros e o sequestro de bens vinculados aos investigados.
O objetivo é impedir que valores e patrimônios supostamente relacionados ao esquema sejam transferidos ou ocultados durante as investigações.
É importante destacar que o montante solicitado para bloqueio não representa, necessariamente, dinheiro já encontrado ou apreendido.
A apuração deverá identificar a origem dos recursos e verificar sua possível ligação com as atividades criminosas.
Empresas e supostos laranjas são investigados
A Polícia Civil também apura a utilização de empresas e pessoas interpostas para ocultar patrimônio e dificultar a identificação dos verdadeiros beneficiários do esquema.
Segundo os investigadores, foram identificados indícios de movimentações financeiras incompatíveis com a renda declarada de pessoas relacionadas à organização.
O cruzamento de informações financeiras, cadastrais e telemáticas também teria revelado conexões entre empresas, transações e interesses patrimoniais dos investigados.
Esses elementos serão utilizados para esclarecer o caminho percorrido pelo dinheiro e identificar quem teria participado da administração dos recursos.
Investigação aponta organização com divisão de tarefas
As apurações indicam que os suspeitos atuavam de maneira organizada, com diferentes funções dentro da estrutura criminosa.
Parte dos integrantes seria responsável por impor regras aos comerciantes, enquanto outros participariam da administração das cobranças e da movimentação dos valores arrecadados.
A Polícia Civil e o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público, procuram esclarecer a participação individual dos investigados.
Durante o cumprimento dos mandados, as equipes também buscam documentos, equipamentos eletrônicos e outros materiais que possam contribuir para a investigação.
Controle criminoso pode afetar o preço do gás
O esquema investigado pode ter consequências para comerciantes e consumidores.
Quando uma organização criminosa impede a livre escolha de fornecedores, os estabelecimentos perdem a possibilidade de negociar preços e condições de compra.
Esses custos podem acabar sendo repassados aos moradores, embora os investigadores ainda precisem esclarecer a dimensão dos impactos econômicos do esquema.
O gás de cozinha é um produto essencial para as famílias, e o controle ilegal de sua distribuição pode comprometer o acesso da população a condições comerciais regulares.
Operação continua no Rio de Janeiro
Até o balanço divulgado no início da manhã desta quarta-feira, quatro pessoas haviam sido presas.
A operação segue com o cumprimento das ordens judiciais e a coleta de materiais que possam ajudar a esclarecer o funcionamento do grupo.
O número de detidos e os valores efetivamente bloqueados poderão ser atualizados pelas autoridades.
As investigações continuam, e a responsabilidade criminal de cada suspeito deverá ser apurada individualmente.
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