Os eleitores de esquerda são os únicos que desaprovam a megaoperação policial realizada no Rio de Janeiro na terça-feira (28), que resultou na morte de 121 pessoas. Segundo pesquisa Genial Quaest, 59% dos eleitores de esquerda lulistas desaprovaram a ação, enquanto entre os não-lulistas o índice chegou a 70%.
Entre os demais grupos, a percepção é inversa. A megaoperação, que teve como principal alvo o combate ao Comando Vermelho, foi aprovada por 61% dos eleitores independentes, 92% dos de direita não-bolsonarista e 93% dos bolsonaristas.
No total, 64% dos 1,5 mil entrevistados em todo o estado aprovaram a operação — a mais letal da história recente do Rio. A aprovação foi maior entre os homens (79%) e se manteve superior em todas as faixas etárias, de renda e escolaridade.
O governador Cláudio Castro (PL) foi diretamente beneficiado pelo resultado da ação. Sua aprovação subiu de 43% em agosto para 53% após a megaoperação. O único grupo em que ainda predomina a desaprovação é o de entrevistados com ensino superior, onde Castro passou de 40% para 43% de aprovação, enquanto a desaprovação cresceu de 52% para 56%.
O crescimento mais expressivo ocorreu entre os eleitores de Jair Bolsonaro (PL). Nesse grupo, a aprovação de Castro disparou de 49% para 82%. Já entre os eleitores de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a desaprovação ao governador aumentou de 44% para 69%.
Para 53% dos entrevistados, o governo federal não tem ajudado os estados no combate ao crime organizado. Entre os homens, esse número sobe para 60%. Outros 24% acreditam que há pouca ajuda e 14% avaliam que o apoio é efetivo.
Entre os eleitores de direita, a crítica é ainda mais forte: 80% dos não-bolsonaristas e 65% dos bolsonaristas acreditam que o governo Lula não colabora com os estados nessa área.
Já a avaliação positiva do governo Cláudio Castro subiu de 22% para 39%, enquanto a percepção negativa caiu de 45% para 34%.
A maioria (54%) dos entrevistados acredita que a megaoperação teve como objetivo o combate ao crime organizado. Outros 40% veem a ação como uma tentativa de Castro de aumentar sua popularidade — percepção que chega a 72% entre lulistas e 82% entre eleitores de esquerda não-lulistas.
A pesquisa também mediu os efeitos da operação na popularidade do governo Lula. A aprovação caiu de 37% para 34%, e a desaprovação subiu de 62% para 64%. Entre os evangélicos, o índice de desaprovação chega a 81%.
A atuação do governo federal na segurança pública foi avaliada como negativa por 60% dos entrevistados. A mesma porcentagem acredita que Lula foi sincero ao afirmar que traficantes são vítimas dos usuários. No entanto, 84% discordam dessa declaração — entre eleitores de direita, a rejeição chega a 99% entre não-bolsonaristas e 100% entre bolsonaristas.
Realizada entre os dias 30 e 31 de outubro, a pesquisa Genial/Quaest entrevistou 1.500 pessoas em domicílio, com margem de erro de três pontos percentuais e 95% de confiabilidade. Entre os entrevistados, 10% se declararam lulistas, 13% não-lulistas, 38% independentes, 21% de direita não-bolsonarista, 14% bolsonaristas e 4% não responderam. A maioria possui até o ensino médio (43%) e renda entre dois e cinco salários mínimos (42%).
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