A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou a suspensão da publicidade dos suplementos alimentares Glifit e Glicofit, vendidos em gotas pela internet. A decisão foi motivada por anúncios que prometiam controlar rapidamente o açúcar no sangue e melhorar o funcionamento do organismo.
A medida consta na Resolução-RE nº 4.224, de 26 de outubro de 2026, e atinge a publicidade dos produtos fabricados pela empresa Vita Nutriom Saúde & Bem Estar Ltda.
Segundo a Anvisa, as propagandas apresentavam alegações terapêuticas e benefícios à saúde que não estavam autorizados para esses suplementos.
O caso chama a atenção para os riscos de produtos anunciados como alternativas para controlar doenças, especialmente o diabetes, que exige acompanhamento médico e tratamento adequado.
Quais promessas levaram à suspensão?
Durante a análise das propagandas, a Anvisa identificou mensagens que associavam os suplementos à redução da glicemia e à melhora do funcionamento do pâncreas.
Entre as afirmações questionadas estavam:
- “O autêntico regulador de glicose”.
- “Controle rápido dos níveis de açúcar no sangue”.
- “Melhora a sensibilidade à insulina”.
- “Mantém o pâncreas limpo e funcional”.
- “Eliminando os picos de glicose”.
De acordo com a agência, essas expressões atribuíam aos produtos propriedades que não tinham autorização para divulgação.
O problema é que esse tipo de anúncio pode levar o consumidor a acreditar que o suplemento apresenta eficácia comprovada para controlar alterações no açúcar do sangue.
Para pessoas com diabetes, a interpretação equivocada pode representar um risco, principalmente quando leva à substituição de medicamentos prescritos.
Produtos foram proibidos de vender?
A decisão informada pela Anvisa determina a suspensão da publicidade irregular de Glifit e Glicofit.
Isso não significa, automaticamente, que a fabricação, a venda ou o consumo dos suplementos tenham sido proibidos.
Também não indica, por si só, que os produtos estejam contaminados ou que tenha sido determinado seu recolhimento.
O motivo da medida está nas alegações utilizadas para divulgar os suplementos.
No Brasil, a publicidade de produtos dessa categoria deve seguir regras específicas e não pode atribuir efeitos de tratamento ou cura de doenças sem a devida autorização sanitária.
Suplementos não substituem tratamento do diabetes
Os suplementos alimentares são destinados a complementar a alimentação, conforme sua composição e finalidade.
Eles não devem ser apresentados como medicamentos capazes de tratar ou curar doenças.
No caso do diabetes, o controle da glicemia pode envolver mudanças na alimentação, atividade física, acompanhamento profissional e uso de medicamentos.
Dependendo do tipo de diabetes e das condições do paciente, a utilização de insulina ou outros medicamentos é essencial.
Por isso, promessas de redução rápida do açúcar no sangue merecem atenção.
A orientação é não interromper tratamentos, substituir medicamentos ou modificar doses com base em propagandas de suplementos encontrados na internet.
Publicidade enganosa pode gerar punições
A divulgação de informações falsas ou enganosas sobre produtos sujeitos à vigilância sanitária pode resultar em sanções administrativas e outras formas de responsabilização previstas na legislação.
O Código de Defesa do Consumidor também estabelece regras contra a publicidade enganosa.
As informações apresentadas ao público precisam ser claras e compatíveis com as características e os benefícios autorizados para cada produto.
A presença de vitaminas, minerais ou outros ingredientes em um suplemento não permite que o fabricante anuncie livremente efeitos terapêuticos.
As alegações de benefícios à saúde devem respeitar os critérios estabelecidos pela Anvisa.
Atenção às promessas de resultados milagrosos
A agência também alerta para anúncios que apresentam suplementos como soluções para diferentes problemas de saúde.
Promessas de emagrecimento rápido, cura de doenças, melhora garantida do desempenho sexual ou tratamento de condições graves devem ser avaliadas com cautela.
A divulgação de benefícios específicos depende das regras aplicáveis à categoria do produto.
Suplementos alimentares não podem ser comercializados como se fossem medicamentos para tratar doenças como câncer, Alzheimer, Parkinson ou outras condições clínicas.
O consumidor também deve desconfiar de anúncios que utilizam depoimentos, imagens de antes e depois ou expressões como “resultado garantido” para sugerir efeitos não comprovados.
Como saber se um suplemento é confiável?
Antes de comprar um suplemento, é importante observar algumas informações:
- Identificação do fabricante e dados presentes no rótulo.
- Lista de ingredientes e orientações de uso.
- Regularidade sanitária do produto.
- Alegações de benefícios compatíveis com as regras da Anvisa.
- Ausência de promessas de cura ou substituição de medicamentos.
Também é recomendável conversar com um médico ou nutricionista antes de utilizar suplementos, especialmente em caso de doenças crônicas ou uso contínuo de medicamentos.
A regularidade de um produto não significa que ele seja indicado para todas as pessoas.
Já comprou Glifit ou Glicofit? Saiba o que fazer
Quem adquiriu um dos produtos deve entender que a medida divulgada pela Anvisa trata especificamente das propagandas consideradas irregulares.
A suspensão da publicidade não comprova, isoladamente, que o suplemento cause danos à saúde.
Entretanto, pessoas que utilizam Glifit ou Glicofit com a expectativa de controlar a glicemia devem procurar orientação profissional para avaliar a necessidade e a segurança do uso.
Quem apresenta diabetes ou alterações nos níveis de açúcar no sangue precisa manter o acompanhamento médico e seguir o tratamento prescrito.
A principal orientação é não confiar em promessas de resultados rápidos ou garantidos para uma condição que exige cuidados contínuos.
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