quarta-feira, 28 outubro, 2026
Diário da Guanabara
  • Cidade
  • Colunistas
  • Mundo
  • Economia
  • Edições Online
  • Gente
  • Opinião
  • Política
  • TVIU!
Nada encontrado
Ver todos os resultados
Diário da Guanabara
Nada encontrado
Ver todos os resultados
Home Cidade

Um ano após operação com 122 mortos, moradores da Penha fazem ato por justiça no Rio

Mobilização reúne familiares de vítimas, movimentos sociais e moradores nesta quarta-feira (28), com caminhada, atividades culturais e ações de acolhimento; MPRJ já apresentou 12 denúncias contra 28 policiais militares.

Redação Por Redação
28/10/2026 - 09:53
em Cidade
Um ano após a Operação Contenção, ato na Penha cobra justiça pelas 122 mortes e ocorre em meio a investigações do MPRJ contra policiais militares.

Imagem: Reprodução/ Eusébio Gomes/TV Brasil

Um ano após a Operação Contenção, que deixou 122 mortos nos complexos da Penha e do Alemão, na zona norte do Rio de Janeiro, moradores, familiares de vítimas e movimentos sociais realizam uma mobilização nesta quarta-feira (28) para cobrar justiça e denunciar a violência policial. O encontro acontece na Praça São Lucas, na Penha, e é organizado pela Frente Penha.

Realizada em 28 de outubro de 2025, a operação ficou marcada pelo elevado número de mortes, incluindo cinco policiais civis e militares. O ato busca preservar a memória das vítimas, prestar solidariedade às famílias e chamar a atenção para os impactos das ações policiais nas comunidades.

A iniciativa também pretende fortalecer a mobilização em defesa dos direitos humanos, da paz e do acesso a serviços públicos, como saúde e educação.

“ Nossa comunidade, que é tão violentada, precisa ser vista com olhos de cuidado. Sobretudo as mulheres, crianças e jovens negros que têm seus direitos violados diariamente. Queremos mais cuidado, educação e saúde pra população de favela”, afirma Evelin Dias, assistente social e integrante da gestão da Frente Penha.

Leia Também

Operação Dominus investiga esquema ligado ao Comando Vermelho que controlava a venda de gás no Rio. Quatro pessoas foram presas e R$ 350 milhões são alvo de bloqueio.

Operação mira esquema do Comando Vermelho na venda de gás no Rio

28/10/2026 - 16:23
PF deflagra nova fase da Operação Castratio contra suspeitas de fraude em contratos de castração animal no RJ, que somam cerca de R$ 200 milhões.

PF faz nova operação contra deputado Marcelo Queiroz por suspeita de fraude em contratos

27/10/2026 - 16:54

Caminhada e atividades culturais marcam a programação

A programação começa com um almoço comunitário organizado pela Frente Penha e por parceiros locais. Às 14h, está prevista uma caminhada pelas principais vias do bairro, acompanhada da distribuição de cestas básicas para famílias da comunidade.

O encontro também contará com depoimentos de integrantes de movimentos que acompanham familiares de vítimas da violência de Estado, como Mães de Maio, Mães de Manguinhos e Projeto Fênix.

A agenda inclui apresentações de música, dança e poesia com artistas locais, leitura de uma carta de repúdio à violência policial, roda de capoeira e atividades de jongo.

Para as crianças, haverá um espaço de recreação com brinquedos infláveis e pula-pula. O encerramento prevê a soltura de balões em homenagem às vítimas, apresentações musicais e falas de acolhimento às famílias.

Levantamentos apontam impacto da violência policial

Para os organizadores, a operação nos complexos da Penha e do Alemão faz parte de um cenário mais amplo de violência que afeta diferentes regiões do estado.

Um levantamento da Iniciativa Direito à Memória e Justiça Racial, intitulado Operações policiais na Baixada Fluminense/RJ, contabilizou 5.298 operações na região entre 2020 e 2025. Segundo o relatório, as ações resultaram em quase 300 mortes, cerca de 700 feridos, 5.783 pessoas presas e 41 adolescentes apreendidos.

A dimensão racial da letalidade policial também é destacada pelo estudo Pele Alvo: entre racismo e letalidade, o amanhã, da Rede de Observatórios da Segurança. Conforme os números citados no levantamento, o estado do Rio de Janeiro registrou 800 mortes decorrentes de intervenções policiais em 2025. Desse total, 588 vítimas eram pessoas negras, o equivalente a 88,6%, segundo o estudo.

A manifestação pretende manter as vítimas na memória coletiva e reforçar a cobrança por medidas que reduzam a violência nos territórios mais atingidos por operações policiais.

MPRJ apresenta 12 denúncias contra policiais militares

O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) conduz investigações sobre a operação, com análise de provas, depoimentos e atendimento aos familiares das vítimas.

Até o momento, o Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública (Gaesp) apresentou 12 denúncias contra 28 policiais militares envolvidos na ação. As acusações incluem roubo, furto qualificado, violação de domicílio, constrangimento ilegal, peculato e recusa de obediência. Esta última está relacionada a possíveis irregularidades no cumprimento das regras de utilização das câmeras corporais.

Segundo o órgão, as 12 denúncias foram recebidas pela Justiça. Alguns policiais respondem a mais de um processo. As acusações ainda serão analisadas no curso dos procedimentos judiciais e não representam, por si só, condenações.

A apuração também está relacionada à Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 635, em tramitação no Supremo Tribunal Federal (STF), que trata de medidas para reduzir a letalidade policial no Rio de Janeiro.

Investigação analisa milhares de horas de gravações

O material reunido pelo Gaesp inclui mais de 4 mil horas de imagens de câmeras corporais, 122 laudos periciais médico-legais e 262 depoimentos de agentes públicos, prestados por 255 pessoas diferentes.

Os investigadores analisam os registros em conjunto com boletins de ocorrência, documentos de planejamento operacional, mapas, croquis e informações sobre o uso de munições. O objetivo é reconstruir as circunstâncias das mortes e verificar possíveis divergências entre os depoimentos e as evidências disponíveis.

O trabalho também envolve a preservação e a análise de arquivos digitais, além de exames periciais próprios e complementares realizados com apoio de equipes especializadas. De acordo com o Ministério Público, os procedimentos buscam preservar a integridade das provas e garantir a cadeia de custódia dos materiais.

A instituição informou ainda que realizou buscas por testemunhas e ouviu 45 familiares de pessoas mortas durante a operação. O Núcleo de Apoio às Vítimas do MPRJ oferece atendimento psicossocial, orientações e encaminhamentos para serviços públicos de saúde e proteção.

Falhas no uso de câmeras corporais são investigadas

Outro ponto da apuração envolve problemas na utilização das câmeras operacionais portáteis durante a operação.

Na Polícia Militar, foram identificadas situações de agentes sem equipamentos, dispositivos descarregados, falta de baterias suplementares e falhas no planejamento da distribuição dos aparelhos.

Na Polícia Civil, dos 685 agentes que participaram da ação, apenas 62 teriam utilizado efetivamente câmeras corporais, conforme os dados apresentados pelo MPRJ. A baixa utilização dos dispositivos dificultou o registro audiovisual e pode limitar a reconstituição de parte dos acontecimentos.

Em março de 2026, o procurador-geral de Justiça, Antonio José Campos Moreira, expediu recomendações aos responsáveis pelas secretarias estaduais de Polícia Militar, Polícia Civil e Segurança Pública para aprimorar o uso dos equipamentos.

Entre as medidas propostas estão a melhoria da distribuição das câmeras, a identificação dos agentes, a ampliação da disponibilidade dos dispositivos para o efetivo do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) e o aperfeiçoamento dos mecanismos de fiscalização e treinamento.

O Ministério Público também recomendou o uso de câmeras corporais pela Polícia Civil em atividades ostensivas, operações, cumprimento de mandados judiciais e outras situações previstas nas normas aplicáveis.

A Polícia Militar, por sua vez, iniciou medidas para ampliar o número de equipamentos e aperfeiçoar os sistemas de monitoramento, rastreabilidade e armazenamento das gravações, além de investir na capacitação dos agentes.

Um ano após a Operação Contenção, o ato na Penha reúne familiares, moradores e movimentos sociais em torno de três reivindicações centrais: memória das vítimas, responsabilização pelas possíveis irregularidades e políticas públicas que garantam segurança e direitos aos moradores das favelas.

*Compartilhe este conteúdo do Diário da Guanabara, o melhor site de notícias do Estado do Rio.

SIGA O DIÁRIO DA GUANABARA NO INSTAGRAM

Tags: #ADPF635#ComplexoDaPenha#ComplexoDoAlemão#DireitosHumanos#FamiliaresDeVítimas#FavelasDoRio#Justiça#LetalidadePolicial#MemóriaEJustiça#MovimentosSociais#MPRJ#OperaçãoContenção#PolíciaMilitar#RioDeJaneiro#SegurançaPública#ViolênciaPolicial
Notícia anterior

Governo nega recuo na escala 6×1 e desmente cortes no Bolsa Família e no Gás do Povo

Próxima notícia

Rio prevê déficit de quase R$ 14 bilhões no orçamento de 2027

Próxima notícia
Rio de Janeiro prevê déficit de R$ 13,98 bilhões em 2027. Projeto orçamentário estima receitas de R$ 124,39 bilhões e será analisado pela Alerj.

Rio prevê déficit de quase R$ 14 bilhões no orçamento de 2027

RECENTES

Flávio Bolsonaro teria deixado o Brasil após ordem do STF para entregar passaportes. Entenda o caso e confira o vídeo do Direto da Redação.

Flávio Bolsonaro vai para os EUA após derrota para Lula e deixa oposição em dúvida

Por Redação
28/10/2026 - 20:27

Flávio Bolsonaro divulga carta nos EUA, agradece a Trump e Milei, questiona eleição e anuncia liderança da oposição brasileira.

Dos Estados Unidos, Flávio Bolsonaro muda carta e promete liderar oposição a Lula

Por Redação
28/10/2026 - 19:11

Vendas de alimentos crescem até 6,5% após proibição das bets no Brasil, aponta Abras. Sul, Minas, Espírito Santo e interior do Rio se destacam.

Consumo de alimentos aumenta no Brasil após restrição às apostas

Por Redação
28/10/2026 - 16:49

Anvisa suspende propaganda dos suplementos Glifit e Glicofit por promessas não autorizadas de controle da glicose. Entenda a decisão e os riscos.

Anvisa suspende propaganda de suplementos que prometem controlar diabetes

Por Redação
28/10/2026 - 16:31

DESTAQUE DA SEMANA

Vorcaro planejou campanha de R$ 25 milhões com Virginia e Zé Felipe

Daniel Vorcaro planejou campanha de R$ 25 milhões com Virginia Fonseca e Zé Felipe para divulgar o WeBank, mas as negociações não resultaram em contrato.
Por Redação
25/10/2026 - 09:47

Uma proposta publicitária de R$ 25 milhões envolvendo Virginia Fonseca e Zé Felipe esteve nos planos do banqueiro Daniel Vorcaro...

Ler mais

COLUNISTAS

Zé Pelintra: quem é o mestre espiritual que conquistou devotos pelo Brasil

Madame Satã
19/10/2026 08:03

Rodrigo Bacellar em Mossoró: a Constituição não para na porta do presídio

Roberto Barbosa
14/09/2026 06:40

Entre o prazer e a felicidade: por que o comum passou a parecer pouco

Karoline Barbosa
07/06/2026 08:50

A beleza da atuação de Fernanda Torres e a injustiça nada poética do Oscar 2025

Francisco Neto Pereira Pinto
05/03/2026 05:27

Mangueira pode ter um dos maiores poetas do país como compositor no próximo Carnaval

Claudia Freitas
27/09/2025 08:50

Portugal está se abrasileirando? Cultura, Pix e tensões com imigrantes acendem debate

Pedro Barbosa
28/05/2025 09:05
Diário da Guanabara

Diário da Guanabara Ltda.
Rua São José, nº 40 — Edifício São José
Centro — Rio de Janeiro
CEP: 20010-020

Conheça o Diário da Guanabara
  • Cidade
  • Colunistas
  • Mundo
  • Economia
  • Edições Online
  • Gente
  • Opinião
  • Política
  • TVIU!

Diário de Guanabara - Criação Web Tchê Digital

Nada encontrado
Ver todos os resultados
  • Cidade
  • Colunistas
  • Mundo
  • Economia
  • Edições Online
  • Gente
  • Opinião
  • Política
  • TVIU!

Diário de Guanabara - Criação Web Tchê Digital

Welcome Back!

Login to your account below

Forgotten Password?

Retrieve your password

Please enter your username or email address to reset your password.

Log In

Add New Playlist