Uma decisão da Justiça do Rio de Janeiro condenou Caio Henrique da Silva Camossatto a mais de seis anos de prisão por um caso de golpe financeiro envolvendo uma mulher que conheceu por aplicativo de relacionamento. A vítima afirmou ter transferido centenas de milhares de reais durante os cerca de três meses em que manteve o relacionamento com o acusado.
Caio recebeu pena de 6 anos, 2 meses e 20 dias de prisão, além de 61 dias-multa. A sentença também determinou o pagamento de R$ 20 mil à vítima por danos morais.
Segundo o processo, entre abril e maio de 2022, a mulher realizou transferências que totalizaram R$ 427 mil para contas indicadas por Caio. Ela contou que começou a desconfiar do relacionamento quando os valores emprestados não eram devolvidos e compromissos financeiros assumidos pelo homem deixaram de ser cumpridos.
A condenação foi posteriormente mantida em segunda instância e o processo transitou em julgado em 21 de setembro. Com isso, a decisão não está mais sujeita, em regra, a recursos capazes de modificar a condenação.
“O recurso defensivo foi desprovido, mantendo os desembargadores integralmente a sentença de primeira instância. Esse processo transitou em julgado no dia 21 de setembro. Logo, e via de regra, a condenação não mais comporta modificação”, afirmou o advogado Arthur Emerich, do escritório Campos & Emerich Advogados.
Prisão ocorreu em São Paulo
Caio foi preso em dezembro de 2024, em São Paulo, depois de permanecer meses foragido. Contra ele havia um mandado expedido pela Justiça do Rio de Janeiro.
Atualmente, ele está custodiado no Centro de Detenção Provisória de Guarulhos. O caso ganhou repercussão nacional depois de ser apresentado pelo programa Fantástico, em 2023, quando mulheres relataram prejuízos financeiros que teriam ocorrido durante relacionamentos com o acusado.
Além do processo que terminou com a condenação, outras investigações envolvendo Caio continuam em andamento nos estados do Rio de Janeiro e de São Paulo.
Na capital fluminense, ele é investigado pela 41ª DP (Tanque) por suspeitas de estelionato e apropriação indébita. Outros dois procedimentos tramitam na 34ª DP (Bangu) e investigam possíveis casos de estelionato amoroso.
Os procedimentos são acompanhados pela 3ª Promotoria de Justiça de Investigação Penal (PIP) de Bangu e Campo Grande e pela 2ª Promotoria de Investigação Penal de Violência Doméstica de Jacarepaguá.
O processo que resultou na condenação tramita sob segredo de Justiça. Procurada, a defesa de Caio informou que não se manifestaria sobre o caso.
Relacionamentos eram usados, segundo relatos, para obter dinheiro
Relatos reunidos nas investigações apontam que, em algumas situações, Caio utilizava o nome “Caio Andrade” em aplicativos de relacionamento.
Segundo as vítimas, ele se apresentava como um fazendeiro bem-sucedido de Minas Gerais e dizia ter parentesco com o contraventor Rogério Andrade.
Conforme os relatos, depois que os relacionamentos avançavam, Caio começava a apresentar supostos problemas financeiros. Uma das justificativas mencionadas seria o bloqueio de contas bancárias pela Receita Federal.
A partir dessas situações, algumas mulheres teriam passado a pagar despesas pessoais do homem ou a fazer transferências para ajudá-lo.
Em um dos casos investigados, uma mulher relatou que Caio passou a pedir dinheiro emprestado sob a justificativa de que precisava manter uma propriedade rural em Goiás. Os repasses feitos por ela entre abril e maio de 2022 chegaram a R$ 427 mil, segundo o processo.
Outras denúncias relatam situações diferentes
Outro procedimento reúne o relato de uma mulher que afirmou ter recebido de Caio uma justificativa relacionada a um suposto “trabalho” espiritual.
Segundo o depoimento, ele teria dito que estava enfrentando problemas decorrentes dessa situação. Para ajudá-lo, a mulher entregou um cordão avaliado em R$ 1,5 mil.
De acordo com o relato, o objeto não teria sido devolvido.
Abordagem policial teve tentativa de negociação
O policial responsável pela prisão de Caio em São Paulo também prestou depoimento sobre o momento da abordagem.
Segundo o agente, mesmo durante a prisão, Camossatto teria tentado convencê-lo a participar de uma negociação envolvendo um imóvel.
O acusado acabou detido com base no mandado expedido pela Justiça do Rio e permaneceu à disposição das autoridades.
Advogado afirma representar outras vítimas
Além da mulher envolvida no processo que terminou em condenação, o advogado Arthur Emerich afirma representar outras duas pessoas que também acusam Caio de práticas semelhantes.
As vítimas que denunciaram o acusado no Rio de Janeiro optaram por não conceder entrevistas. De acordo com o advogado, elas ficaram abaladas com os acontecimentos e preferem não reviver os episódios relacionados aos relacionamentos.
“Elas entendem ser importante que a sociedade tenha conhecimento de que a conduta e os prejuízos que lhe foram causados não passaram despercebidos e impunes pelo Judiciário, e ainda para que outras vítimas sejam encorajadas a buscar as autoridades, de modo que outros crimes praticados por Caio Henrique da Silva Camossatto não fiquem impunes”, declarou Emerich.
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