O barulho constante do trânsito, de obras e de outras atividades urbanas pode representar um problema de saúde que vai além do incômodo e da perda de sono. Pesquisas recentes associam a exposição prolongada à poluição sonora a alterações cognitivas e a um maior risco de demência, incluindo Alzheimer.
Uma revisão publicada em março de 2026 na revista PLOS Global Public Health analisou estudos sobre ruído do tráfego e saúde cerebral. Os resultados indicaram uma associação modesta entre níveis elevados de barulho e maior risco de demência ou comprometimento cognitivo, especialmente em exposições acima de 50 decibéis.
Outra meta-análise, publicada em 2025 na Public Health Reviews, apontou aumento relativo de 15% no risco de Alzheimer e outras demências a cada acréscimo de 10 decibéis na exposição prolongada ao ruído ambiental.
Os pesquisadores investigam diferentes mecanismos para explicar essa relação. O barulho contínuo pode estimular respostas de estresse no organismo, aumentar a liberação de cortisol e favorecer processos inflamatórios. A interrupção frequente do sono também é apontada como possível fator de impacto sobre a saúde cerebral.
A Organização Mundial da Saúde considera a poluição sonora um problema de saúde ambiental. Além dos distúrbios do sono, o excesso de ruído está associado a hipertensão, doenças cardiovasculares, problemas auditivos, zumbido e prejuízos cognitivos.
O trânsito está entre as principais fontes de exposição. As diretrizes da OMS recomendam que o ruído médio do tráfego rodoviário permaneça abaixo de 53 decibéis e, durante a noite, abaixo de 45 decibéis.
Apesar dos resultados, os cientistas alertam que ainda não é possível afirmar que o barulho cause diretamente Alzheimer ou outras demências. Fatores como idade, genética, doenças cardiovasculares, poluição do ar, qualidade do sono e condições socioeconômicas também podem influenciar o risco.
Mesmo assim, reduzir a exposição ao ruído, principalmente durante a noite, pode trazer benefícios para o sono e para a saúde cardiovascular. As pesquisas reforçam que a poluição sonora deixou de ser apenas uma questão de conforto e passou a ocupar espaço crescente nas discussões sobre saúde pública.
*Da Agência Fonte Exclusiva.










