O MDB decidiu não lançar candidatura própria nem apoiar oficialmente outra chapa na eleição presidencial de 2026. A posição foi aprovada durante convenção nacional realizada de forma virtual na segunda-feira, 27 de julho, e estabelece a neutralidade da legenda na disputa pelo Palácio do Planalto.
A proposta recebeu 363 votos favoráveis e 29 contrários. Com o resultado, o partido não formará coligação nacional para os cargos de presidente e vice-presidente da República, mas permitirá que os diretórios estaduais apoiem diferentes candidaturas conforme as alianças construídas em cada região.
Na prática, a decisão autoriza que lideranças emedebistas adotem posições distintas durante a campanha presidencial sem romper com a orientação nacional. A medida considera as diferenças políticas existentes entre as bases do partido e busca evitar que a escolha de um único presidenciável provoque conflitos internos.
Nos estados do Norte e do Nordeste, parte dos dirigentes mantém alianças históricas com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Já no Sul, Sudeste e Centro-Oeste, lideranças da sigla demonstram maior proximidade com candidaturas de direita ou de centro-direita.
O presidente nacional do MDB, deputado federal Baleia Rossi, afirmou que a liberação dos diretórios contribuirá para unir e pacificar o partido. Segundo ele, a autonomia regional permitirá a formação de chapas mais competitivas e ajudará a legenda a ampliar sua presença nas eleições estaduais e legislativas.
Foco nos estados e no Congresso
Sem participação formal na corrida presidencial, o MDB pretende concentrar esforços nas disputas pelos governos estaduais, Senado, Câmara dos Deputados e assembleias legislativas.
O partido trabalha com dez candidaturas aos governos estaduais, seis nomes para vice-governador e aproximadamente 20 candidatos ao Senado. A meta anunciada por dirigentes é alcançar uma bancada de 50 deputados federais.
A estratégia busca aumentar a influência da legenda no Congresso Nacional, independentemente do resultado da eleição presidencial. Uma bancada maior poderá ampliar a participação do MDB nas negociações envolvendo reformas, projetos econômicos, orçamento e propostas de interesse dos estados.
A autonomia também permite que os candidatos locais se aproximem do presidenciável considerado mais competitivo em cada território. Assim, diretórios com alianças governistas poderão apoiar Lula, enquanto grupos ligados à oposição terão liberdade para aderir a outros candidatos.
Entre os nomes apresentados pelo MDB para os governos estaduais estão Renan Filho, em Alagoas; Ricardo Ferraço, no Espírito Santo; Daniel Vilela, em Goiás; Gabriel Azevedo, em Minas Gerais; Cícero Lucena, na Paraíba; Rafael Greca, no Paraná; Gabriel Souza, no Rio Grande do Sul; e Pedro Abib, em Rondônia. Algumas candidaturas ainda precisarão ser confirmadas pelas convenções estaduais.
No Rio de Janeiro, o partido integra a chapa de Eduardo Paes, do PSD, com Jane Reis como candidata a vice-governadora. Em São Paulo, Felício Ramuth aparece como o nome do MDB para disputar novamente a Vice-Governadoria.
As diferentes composições demonstram o caráter regional da estratégia. Enquanto alguns diretórios estarão aliados a partidos próximos ao governo federal, outros participarão de chapas ligadas à oposição.
Primeira neutralidade em 20 anos
Esta será a primeira vez em duas décadas que o MDB chegará ao primeiro turno sem candidatura própria e sem integrar oficialmente a chapa presidencial de outra legenda. A última neutralidade ocorreu em 2006.
Em 2010, Michel Temer foi eleito vice-presidente na chapa de Dilma Rousseff. A parceria entre MDB e PT foi repetida na eleição de 2014.
Depois do rompimento entre os partidos, o MDB lançou Henrique Meirelles à Presidência em 2018. O candidato terminou a eleição com 1,2% dos votos válidos.
Em 2022, a legenda apresentou Simone Tebet, que ficou na terceira colocação do primeiro turno, com 4,16% dos votos válidos. A bancada emedebista na Câmara passou a contar com 42 deputados após aquela eleição.
Autonomia para preservar a unidade
A neutralidade evita que a direção nacional precise escolher entre grupos internos com preferências presidenciais diferentes. Um apoio oficial a Lula poderia provocar resistência em diretórios mais próximos da direita, enquanto a adesão a uma candidatura de oposição atingiria lideranças aliadas ao governo federal.
Ao transferir as decisões para os estados, o MDB pretende preservar acordos regionais, fortalecer as chapas proporcionais e reduzir o risco de divisão interna.
O modelo também está relacionado à estrutura partidária da legenda, que reconhece o peso eleitoral dos diretórios estaduais. Segundo o MDB, os grupos que obtiveram maior força nas eleições anteriores possuem mais influência na definição das alianças locais.
Apesar de ficar fora da composição presidencial, o partido continuará sendo disputado pelos principais candidatos. O MDB mantém bases regionais consolidadas, presença em governos estaduais e municipais e representação relevante no Congresso.
A decisão aprovada em 27 de julho estabelece, portanto, uma campanha descentralizada. A direção nacional ficará oficialmente neutra, enquanto os diretórios estaduais poderão definir seus próprios apoios e organizar as alianças consideradas mais vantajosas para cada disputa.
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