Um homem apontado pela Polícia Federal como um dos principais responsáveis por furtos de livros raros no país foi preso novamente no Rio de Janeiro. Desta vez, o alvo seria o acervo da Fundação Casa de Rui Barbosa, em Botafogo, que reúne obras, manuscritos, documentos e objetos de grande relevância para a história brasileira.
De acordo com as informações apresentadas durante a investigação, Laécio Rodrigues Oliveira teria abordado um segurança que trabalhava na instituição e proposto uma parceria para retirar itens do acervo. Em troca da colaboração, o funcionário receberia uma vantagem financeira.
O profissional recusou a proposta e comunicou imediatamente o episódio à empresa responsável pela segurança. A direção da Fundação Casa de Rui Barbosa foi informada e acionou as autoridades, permitindo que o caso passasse a ser acompanhado pela Polícia Federal.
A denúncia feita pelo segurança foi considerada decisiva para impedir que o patrimônio histórico fosse retirado da instituição. O acervo reúne livros raros, manuscritos, documentos pessoais e materiais relacionados à trajetória política, jurídica e intelectual de Rui Barbosa.
Suspeito acumula passagens pela prisão
Segundo a reportagem, Laécio já teria sido preso pelo menos 11 vezes por crimes relacionados ao furto de livros, documentos e objetos históricos. A última saída da prisão teria ocorrido em 2020.
As autoridades apontam que ele atuaria há cerca de duas décadas na retirada ilegal de bens culturais. Parte do material furtado seria comercializada no mercado clandestino brasileiro ou enviada para compradores no exterior.
A Polícia Federal investiga se os crimes eram praticados sob encomenda e procura identificar possíveis receptadores, intermediários e colecionadores envolvidos na negociação ilegal das obras.
Itens possuem valor histórico incalculável
Alguns dos documentos protegidos pela Fundação Casa de Rui Barbosa possuem valor financeiro estimado em milhões de reais. No entanto, especialistas ressaltam que a importância desses materiais ultrapassa qualquer avaliação comercial.
O acervo preserva registros do século XIX e documentos relacionados a personagens e acontecimentos fundamentais da história brasileira. Entre os materiais estão manuscritos associados à atuação de Rui Barbosa na elaboração da Constituição de 1891, a primeira do período republicano.
Jurista, advogado, escritor, diplomata e político, Rui Barbosa participou ativamente dos primeiros anos da República. Também exerceu os cargos de ministro da Justiça e ministro da Fazenda, além de ter disputado a Presidência da República em 1910 e 1919.
Investigação busca possíveis receptadores
A prisão não encerra o trabalho policial. A investigação continua para descobrir quem receberia os livros e documentos que seriam retirados da fundação.
Uma das linhas apuradas é a possível existência de uma rede organizada de receptação, formada por intermediários e compradores interessados em obras raras. As autoridades também investigam a eventual participação de pessoas no exterior.
O caso reforça o alerta sobre a necessidade de ampliar a segurança em bibliotecas, museus, arquivos públicos e instituições responsáveis pela proteção de bens culturais.
O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional mantém um banco de dados destinado ao registro de bens culturais protegidos que desapareceram ou foram furtados. A ferramenta auxilia instituições, comerciantes, colecionadores e forças de segurança na identificação de peças procuradas.
A preservação desse patrimônio depende da atuação conjunta dos órgãos públicos, dos responsáveis pelos acervos e da própria sociedade. No caso da Fundação Casa de Rui Barbosa, a rápida denúncia do segurança foi fundamental para impedir que documentos de valor histórico incalculável chegassem ao mercado clandestino.
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