Washington reagiu à decisão brasileira de impedir a entrada de dois integrantes do Departamento de Estado que tinham compromissos previstos em Brasília.
Em manifestação divulgada no sábado (25), o governo norte-americano negou que a viagem tivesse o objetivo de influenciar ou levantar suspeitas sobre as eleições brasileiras.
Os pedidos de visto apresentados por Riley M. Barnes, secretário-assistente do Departamento de Estado, e Samuel Samson, secretário-assistente adjunto do órgão, foram recusados pelo Ministério das Relações Exteriores.
A permanência dos representantes na capital federal estava prevista entre os dias 27 e 30 de julho. A programação incluiria reuniões com autoridades brasileiras, representantes da sociedade civil e lideranças religiosas.
Segundo o Departamento de Estado, os encontros integravam as atividades habituais do Escritório de Democracia, Direitos Humanos e Trabalho. A agenda teria como foco assuntos relacionados à integridade eleitoral, liberdade de expressão e liberdade religiosa.
Governo norte-americano rejeita acusações
Um porta-voz do Departamento de Estado afirmou que não havia qualquer intenção de interferir no processo eleitoral brasileiro. O representante classificou como infundada a interpretação de que a missão pretendia enfraquecer a confiança na votação.
Na posição apresentada por Washington, os compromissos faziam parte das atribuições institucionais do órgão e estavam relacionados à discussão de temas democráticos e de direitos fundamentais.
O governo norte-americano também rejeitou a acusação de que os representantes buscariam influenciar a disputa presidencial ou questionar a legitimidade das instituições eleitorais brasileiras.
Viagem foi impedida pelo Itamaraty
A manifestação ocorreu depois de o governo brasileiro negar os vistos solicitados pelos dois integrantes da delegação. Com a decisão, a programação prevista para ocorrer em Brasília não poderá ser cumprida conforme o planejamento inicial.
A controvérsia ganhou repercussão após uma reportagem do jornal The Washington Post apontar que a viagem poderia estar relacionada a uma iniciativa destinada a questionar a confiabilidade do sistema eleitoral brasileiro.
Após a divulgação dessas informações, o Departamento de Estado apresentou sua versão e reafirmou que a missão teria caráter exclusivamente institucional.
Impasse aumenta tensão diplomática
O episódio abriu uma nova frente de divergência entre Brasil e Estados Unidos. O governo brasileiro decidiu impedir a entrada dos representantes, enquanto Washington sustenta que os encontros não tinham finalidade político-partidária.
De um lado, a decisão brasileira interrompeu uma agenda considerada sensível diante da proximidade das eleições. Do outro, o governo norte-americano argumentou que as reuniões tratariam de temas normalmente acompanhados pelo Escritório de Democracia, Direitos Humanos e Trabalho.
Até o momento, não há informação sobre uma nova tentativa de viagem ou sobre a substituição dos representantes indicados inicialmente.
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